ESPECIAL | Radiação UV exige atenção redobrada dos baianos nos próximos meses
Foto: Ilustração/IA
Por Diário do Baiano
Índices elevados de radiação ultravioleta são registrados na Bahia e exposição sem proteção pode provocar queimaduras, danos aos olhos e aumentar o risco de câncer de pele
A chegada dos meses de maior incidência solar acende um alerta para quem vive na Bahia. A radiação ultravioleta (UV), invisível aos olhos, pode atingir níveis capazes de provocar danos à pele e à visão, especialmente quando a exposição ao sol ocorre de maneira prolongada e sem proteção.
O Índice Ultravioleta (IUV) é a medida utilizada internacionalmente para indicar a intensidade da radiação UV que chega à superfície e seus possíveis efeitos sobre a pele humana. Na escala adotada pela Organização Mundial da Saúde, índices de 6 a 7 são considerados altos, de 8 a 10 muito altos e valores a partir de 11 entram na categoria extrema.
Na Bahia, o Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema) acompanha esses índices. Em boletim divulgado neste ano, cidades de diferentes regiões do estado apresentaram IUV entre 7 e 9, classificados como altos ou muito altos. Salvador chegou a índice 8, enquanto municípios como Paulo Afonso, Senhor do Bonfim, Juazeiro e Remanso alcançaram 9 no período analisado.
O perigo não depende da sensação de calor
Um dos pontos que merecem atenção é que radiação ultravioleta e temperatura não são a mesma coisa. Um dia relativamente fresco não significa necessariamente baixa exposição aos raios UV.
O IUV sofre influência de fatores como horário, época do ano, latitude, altitude, concentração de ozônio na atmosfera e condições do céu. O valor máximo diário costuma ocorrer próximo ao meio-dia solar.
Por isso, a sensação térmica não deve ser utilizada como referência para decidir se é necessário se proteger.
As nuvens também não representam garantia absoluta de segurança. Parte da radiação pode atingir a superfície mesmo em condições de nebulosidade, enquanto determinados materiais e ambientes podem refletir os raios UV. Areia, água e superfícies claras estão entre os elementos que podem contribuir para essa exposição.
Efeito é acumulativo
O Instituto Nacional de Câncer (INCA) aponta a exposição excessiva à radiação solar como principal fator de risco para o câncer de pele. Os danos provocados pela exposição repetida ao longo dos anos são cumulativos, o que torna a proteção desde a infância particularmente importante.
Além das queimaduras solares, a exposição excessiva pode provocar envelhecimento precoce da pele e lesões nos olhos. O INCA relaciona a radiação UV também a problemas como ceratites, conjuntivites e catarata.
O câncer de pele não melanoma é o tipo de câncer mais frequente no Brasil. Já o melanoma ocorre em menor número, mas apresenta maior agressividade e capacidade de disseminação para outros órgãos.
Para o triênio 2026–2028, o INCA estima 9.360 novos casos de melanoma por ano no Brasil, sendo 4.930 em homens e 4.430 em mulheres.
Trabalhadores ao ar livre estão entre os mais expostos
Na Bahia, o alerta ganha importância especial para milhares de pessoas que passam boa parte do dia trabalhando sob o sol.
Agricultores, pescadores, trabalhadores da construção civil, profissionais da limpeza urbana, salva-vidas, policiais de trânsito, jardineiros, carteiros e outros profissionais que exercem atividades externas estão entre os grupos submetidos à exposição frequente à radiação solar.
Para essas pessoas, a proteção não deve ficar restrita ao uso de protetor solar. Roupas adequadas, chapéus ou bonés, óculos com proteção contra raios UV e períodos de descanso em locais protegidos também reduzem a exposição.
Horário exige atenção especial
O INCA recomenda evitar, sempre que possível, a exposição prolongada ao sol entre 10h e 16h, período em que a radiação é mais intensa.
Quando permanecer ao ar livre for inevitável, a recomendação inclui procurar áreas de sombra e utilizar chapéu de abas largas, óculos escuros, roupas que protejam a pele e filtro solar.
O instituto alerta ainda para um erro comum: o protetor solar não deve ser usado como justificativa para permanecer mais tempo exposto ao sol. A proteção precisa ser combinada com outras medidas.
O filtro deve ser aplicado antes da exposição e reaplicado periodicamente, principalmente depois de entrar na água, transpirar intensamente ou secar a pele com toalha.
Bahia precisa olhar para o Índice UV
A previsão do tempo já faz parte da rotina de milhões de brasileiros, mas o Índice UV ainda recebe menos atenção do que temperatura e possibilidade de chuva.
Na Bahia, onde praias, atividades ao ar livre, pesca, agricultura e construção civil fazem parte da rotina de grande parcela da população, acompanhar esse indicador pode ser uma medida simples de prevenção.
O Inema mantém o monitoramento da radiação ultravioleta no estado e publica boletins com previsões para cidades representativas de diferentes regiões baianas.
A informação é especialmente importante porque o risco provocado pelos raios UV nem sempre pode ser percebido imediatamente. A pele pode acumular danos ao longo dos anos, fazendo com que os efeitos de exposições repetidas apareçam muito tempo depois.
Mais do que evitar uma queimadura depois de algumas horas de sol, a proteção contra a radiação ultravioleta é uma medida de prevenção para toda a vida.

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