Ialorixá do Gantois por 23 anos, Mãe Carmen deixa legado ancestral no candomblé, diz terreiro
O Terreiro do Gantois divulgou, nesta sexta-feira (26), uma nota oficial lamentando a morte de Mãe Carmen. No comunicado, a Associação de São Jorge Ebé Oxóssi ressalta a importância histórica, espiritual e simbólica da líder religiosa para o Candomblé na Bahia e no Brasil.
Descrita como “mulher de axé, guardiã da ancestralidade e herdeira de uma linhagem que pavimentou a história do Candomblé”, Mãe Carmen era filha direta de Mãe Menininha do Gantois, uma das maiores referências da religião no país. Segundo a nota, sua formação religiosa começou ainda na infância, quando foi preparada nos fundamentos, ritos e saberes que sustentam a tradição da casa.
A nota também enfatiza o perfil acolhedor e a força de sua liderança, descrevendo-a como “farol, colo, caminho e fortaleza”. Para o terreiro, a herança espiritual de Mãe Menininha permaneceu viva na condução diária de Mãe Carmen, que manteve o compromisso com os Orixás e com a vida coletiva da comunidade.
Ainda de acordo com o comunicado, Mãe Carmen contou, ao longo de sua liderança, com o apoio de suas duas filhas na condução da roça, compartilhando responsabilidades e saberes. Ela deixa três netos e quatro bisnetos, apontados como expressão da continuidade da memória e do futuro do axé da casa.