11 de maio de 2026

Nova Rodoviária de Salvador começa a operar, mas deixa comerciantes informais da antiga à deriva

 Nova Rodoviária de Salvador começa a operar, mas deixa comerciantes informais da antiga à deriva
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O novo é belo, mas nem sempre é inclusivo. É como trocar um estádio de futebol raiz por uma arena. Um Barradão pela Fonte Nova. O conforto e a modernidade são evidentes, como é nítido na nova Rodoviária da Bahia, inaugurada ontem e em funcionamento. Quem chegar a partir de hoje em Salvador pelo voo rasteiro terá uma casa novinha para os ônibus que trazem passageiros para a capital, em Águas Claras. Contudo, a rodoviária antiga não era apenas a entrada e chegada de ônibus de todo o país. Era um instrumento que movimentava a economia local, como lojistas, camelôs, restaurantes populares e afins. Enquanto muitos comemoram o novo, outros temem que fiquem apenas no passado. O que fazer com eles?

“Isso aqui vai virar a Barroquinha. Um antigo centro econômico abandonado. A partir desta terça, estas famílias daqui estarão perdidas”, resume o peruano Miguel Pacheco, que há 30 anos vende produtos na passarela da rodoviária. “Com este meu ponto, sustentei minha família e construí até minha casa. Agora não sei nem como será amanhã, como vou levar comida para casa”, completa Miguel, temendo o fim do seu sustento, num curto espaço de tempo. Ele não comparou sua situação com a Barroquinha à toa. Segundo ele, o bairro era a referência no comércio até a antiga rodoviária, na Sete Portas, deixar de existir. “Lá o fim foi lento, mas começou assim. Aqui não dou sois ano para acabar e deixar todo mundo sem sustento. Ninguém mais vai passar por aqui”, disse o peruano.

Ceará tem uma lanchonete na frente da barraca de Miguel e está há mais de 20 anos ali no final da passarela, já na entrada da rodoviária. Vende de tudo, com preços inclusive para viajantes menos afortunados, que não podem pagar muito caro num lanche para levar em sua viagem. Em Ceará, uma peça de salgado com suco custa R$ 7,50. Anderson Carvalho e seu filho, Vitor Carvalho, aproveitaram que seu ônibus para Serrinha sairia em 30 minutos e foram até o camelô encher a barriga e economizar.