Mais etanol na gasolina levanta dúvidas sobre consumo e desempenho do carro
Foto: Ilustração/IA
Por Diário do Baiano
Nova composição está em vigor em todo o país e provoca discussão sobre possíveis efeitos nos veículos, consumo e preço pago pelos motoristas.
A gasolina vendida nos postos brasileiros passou por uma nova mudança na composição. Desde o início de agosto, a mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina comum e comum aditivada subiu de 30% para 32%, fazendo com que o combustível comercializado ao consumidor passe a ser identificado como E32.
A alteração foi estabelecida pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) em caráter excepcional e temporário. Segundo a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), a medida terá duração inicial de 180 dias e poderá ser prorrogada uma vez pelo mesmo período.
O aumento ocorre apenas um ano depois da entrada em vigor da E30. Em agosto de 2025, o percentual obrigatório havia passado de 27% para 30% de etanol anidro.
E o carro?
Um dos principais questionamentos dos consumidores é sobre os possíveis efeitos da nova mistura nos veículos.
O setor de biocombustíveis sustenta que os testes realizados não identificaram impactos relevantes sobre os automóveis. O assunto, porém, tornou-se alvo de questionamento do Ministério Público Federal (MPF), que aponta necessidade de estudos conclusivos sobre aspectos como durabilidade de componentes, emissões, autonomia e compatibilidade com diferentes veículos da frota nacional.
A discussão ganha maior relevância principalmente para proprietários de veículos mais antigos e modelos importados, diante das diferenças existentes entre motores, sistemas de alimentação e especificações estabelecidas pelos fabricantes.
Preço menor não é automático
Outro ponto que interessa diretamente ao consumidor é se a maior presença de etanol significará gasolina mais barata.
A utilização de uma proporção maior do biocombustível pode reduzir a necessidade de gasolina pura na composição final e diminuir a dependência de importações. Isso, entretanto, não significa redução automática ou uniforme do preço nas bombas.
O valor pago pelo motorista depende de vários componentes da cadeia, incluindo preço da gasolina produzida ou importada, custo do etanol anidro, tributos, logística e margens de distribuição e revenda.
Levantamentos recentes da ANP mostram justamente diferenças no comportamento dos preços entre municípios. Na Bahia, por exemplo, a gasolina apresentou pequena queda em Feira de Santana na última pesquisa semanal, enquanto permaneceu estável em Jequié.
A evolução dos preços nas próximas semanas deverá indicar com maior clareza qual será o impacto efetivo da E32 para o consumidor.

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