Mulheres são maioria nas urnas, mas seguem longe da mesma força nos espaços de poder
Foto: Ilustração/IA
Por Diário do Baiano
Quase 6 milhões de eleitoras representam 53% das pessoas aptas a votar na Bahia em 2026, enquanto a presença feminina nos principais postos políticos permanece minoritária.
As mulheres chegam às Eleições 2026 como maioria do eleitorado da Bahia, mas o peso numérico nas urnas ainda está distante de uma representação equivalente nos espaços de poder. Dos 11.321.005 eleitores aptos a votar no estado, 5.973.523 são mulheres, o equivalente a 53%, segundo dados oficiais do Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA).
Os homens representam 47% do eleitorado, com 5.347.433 pessoas. A diferença significa que existem mais de 626 mil eleitoras a mais que eleitores na Bahia neste ano.
A predominância feminina também aparece nos maiores colégios eleitorais do estado. Em Salvador, elas correspondem a 55% do eleitorado, com 1.082.642 mulheres aptas a votar. Em Feira de Santana, são 240.467, também 55%. Camaçari registra 114.291 eleitoras, equivalentes a 54% do total.
Maioria eleitoral não se repete na disputa pelo poder
Apesar da vantagem numérica, a participação feminina continua significativamente menor quando o cenário passa das urnas para a ocupação dos cargos políticos.
Nas Eleições 2026, nenhuma mulher concorre ao Governo da Bahia, repetindo o cenário registrado em 2022. A última candidatura feminina ao governo estadual ocorreu em 2018. A primeira mulher a disputar o comando do Executivo baiano participou da eleição de 1986, mas não venceu.
A diferença também aparece nas estruturas nacionais dos partidos. Das 30 legendas registradas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) consideradas no levantamento, apenas três eram presididas por mulheres, o equivalente a 10%.
Para a secretária de Planejamento, Estratégia, Inovação e Eleições do TRE-BA, Luciana Bichara, a participação feminina não deve ficar restrita ao exercício do voto. Segundo ela, a presença das mulheres nos espaços de decisão e representatividade é fundamental para o fortalecimento da democracia.
Desigualdade permanece como desafio
A legislação eleitoral brasileira estabelece mecanismos para estimular a participação das mulheres nas disputas. Entre eles está a exigência de que cada partido ou federação preencha o mínimo de 30% e o máximo de 70% de candidaturas de cada sexo nas eleições proporcionais.
A existência das cotas, entretanto, não garante por si só uma divisão equilibrada dos cargos conquistados. Questões como acesso a recursos, estrutura partidária, visibilidade durante as campanhas e violência política de gênero são apontadas entre os obstáculos enfrentados pelas mulheres na tentativa de ampliar sua presença na política.
A desigualdade ganha dimensão ainda maior diante do tamanho do eleitorado feminino. No Brasil, as mulheres também constituem a maioria das pessoas aptas a votar, mantendo uma característica observada em eleições anteriores.
Na Bahia, os quase 6 milhões de votos femininos tornam esse segmento decisivo na escolha de presidente da República, governador, senadores, deputados federais e deputados estaduais no primeiro turno das Eleições 2026, marcado para 4 de outubro.

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