Trump sinaliza neutralidade dos EUA na disputa presidencial brasileira
Foto: Ricardo Stuckert/PR
Por Diário do Baiano
Tema eleitoral entrou na conversa por telefone entre os presidentes, que também discutiram tarifas comerciais, segurança e conflitos internacionais.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva que seu governo não pretende se envolver nas eleições brasileiras de 2026. O assunto surgiu durante a conversa telefônica entre os dois líderes na sexta-feira (21), que durou cerca de uma hora e 20 minutos.
Segundo informações divulgadas sobre os bastidores do telefonema, Trump perguntou a Lula sobre o cenário eleitoral brasileiro. O presidente brasileiro respondeu que há diferentes candidaturas na disputa e defendeu a confiabilidade do sistema eleitoral do país. Na sequência, o norte-americano indicou que os Estados Unidos não pretendem interferir no processo.
A declaração ocorre em um momento de atenção especial sobre a relação entre Washington e Brasília. Nos últimos meses, o governo brasileiro manifestou preocupação com possíveis interferências externas no processo eleitoral, enquanto integrantes do governo norte-americano fizeram declarações sobre questões políticas e institucionais brasileiras.
Comércio foi um dos principais temas da conversa
O telefonema teve como foco principal a relação comercial entre os dois países. Lula contestou as justificativas apresentadas pelos Estados Unidos para a imposição de novas tarifas sobre produtos brasileiros e classificou como infundados argumentos relacionados a temas como desmatamento, propriedade intelectual, Pix, etanol, corrupção e importação de produtos associados a trabalho forçado.
Trump concordou com a necessidade de preservar os vínculos comerciais entre Brasil e Estados Unidos e propôs que representantes dos dois governos retomassem as negociações. Após a conversa, ficou encaminhada uma reunião entre integrantes do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), do Ministério das Relações Exteriores (MRE) e do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR).
Segurança e conflitos internacionais também entraram na pauta
Lula e Trump também discutiram o combate ao crime organizado. O presidente brasileiro defendeu maior cooperação entre os dois países, mas sustentou que organizações criminosas não devem ser equiparadas a grupos terroristas. Trump manifestou disposição para ampliar a cooperação bilateral e indicou que autoridades de alto escalão deverão participar das tratativas.
Os conflitos internacionais também foram abordados. Os presidentes trataram das guerras envolvendo Rússia e Ucrânia e da situação no Oriente Médio. Lula voltou a defender soluções diplomáticas e sugeriu uma reunião extraordinária do Conselho de Segurança das Nações Unidas para discutir alternativas para os conflitos.
A declaração atribuída a Trump sobre as eleições brasileiras não aparece no comunicado oficial divulgado pelo governo brasileiro sobre o telefonema. A informação foi revelada posteriormente em relatos sobre os bastidores da conversa. O comunicado do Planalto concentrou-se nas negociações comerciais, no combate ao crime organizado e nos conflitos internacionais.

Campanha presidencial ocupa ruas e eventos pelo país com segurança, trabalho e moradia em pauta
TRE-BA define tempos de rádio e TV para candidatos ao Governo da Bahia
Lula mantém dianteira, mas distância para Flávio cai a seis pontos no Datafolha
Participação indígena alcança marca histórica na disputa eleitoral de 2026
Corrida presidencial leva candidatos a diferentes capitais nesta terça-feira
Disputa eleitoral encolhe na Bahia e tem 516 candidaturas a menos que em 2022