Brasileirão ganha mais ritmo com novas medidas contra a “cera”
Foto: CBF
Por Diário do Baiano
Medidas adotadas pela CBF estrearam na 23ª rodada do Brasileirão e elevaram o tempo efetivo das partidas; jogo do Bahia ficou acima da nova média nacional
As novas regras adotadas pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF) para reduzir a cera e o antijogo já produziram efeito no Campeonato Brasileiro. Na primeira rodada de aplicação das medidas, o tempo médio de bola rolando aumentou, e os jogos de Bahia e Vitória apresentaram resultados distintos.
Nos nove primeiros confrontos da 23ª rodada, a média passou de 52 minutos e 54 segundos para 55 minutos e 29 segundos de jogo efetivo. O percentual de bola rolando chegou a aproximadamente 56,5%, cerca de cinco pontos percentuais acima do registrado nas 22 rodadas anteriores.
A CBF começou a aplicar o novo conjunto de diretrizes neste fim de semana. O objetivo é diminuir paralisações desnecessárias e aproximar gradualmente o futebol brasileiro da meta de 60 minutos de bola efetivamente em jogo.
Bahia supera média; jogo do Vitória fica abaixo
No empate por 3 a 3 entre Chapecoense e Bahia, na Arena Condá, a bola permaneceu em jogo durante 58 minutos e 32 segundos, equivalentes a 58,1% do tempo total da partida. O número ficou acima da média registrada na rodada.
Antes da implantação das novas medidas, as partidas envolvendo o Bahia tinham média de 53 minutos e 47 segundos de bola rolando, segundo levantamento da CBF Academy. O desempenho registrado diante da Chapecoense, portanto, ficou quase cinco minutos acima dessa referência.
No Barradão, onde o Vitória derrotou o Botafogo por 1 a 0, foram registrados 52 minutos e 7 segundos de bola efetivamente em jogo, equivalentes a 53,3% do tempo da partida. Apesar de inferior à média geral da rodada, o número ficou acima da média anterior dos confrontos envolvendo o Rubro-Negro, que era de 50 minutos e 58 segundos.
Os números da primeira rodada ainda não permitem concluir qual será o impacto definitivo das mudanças durante o restante do campeonato, mas indicam aumento imediato do tempo efetivo de jogo.
Reposição, substituições e atendimento médico ficam mais rápidos
Entre as mudanças está a contagem regressiva para determinadas reposições de bola. Em situações identificadas como atraso deliberado, laterais e tiros de meta passam a ter limite de cinco segundos. No lateral, o descumprimento pode provocar reversão; no tiro de meta, a punição prevista é a concessão de escanteio ao adversário.
Os goleiros também estão sujeitos a maior controle de tempo. Quando permanecem com a bola nas mãos além do período permitido, a equipe adversária pode receber um escanteio.
Nas substituições, o jogador chamado a deixar o gramado deve fazê-lo em até dez segundos. Caso ultrapasse o limite, o substituto terá de aguardar um minuto e uma nova interrupção antes de entrar. Jogadores atendidos em campo também ficam fora por um minuto após o reinício, observadas as exceções previstas no protocolo.
Outra medida restringe a aproximação dos atletas ao árbitro em situações de discussão. O juiz pode fazer um gesto em formato de “X”, indicando que somente os capitães estão autorizados a se aproximar. Jogadores que ignorarem a determinação ficam sujeitos a cartão amarelo.
Uma das novas diretrizes teve aplicação direta justamente no jogo do Vitória. Após o apito final no Barradão, Arthur Cabral, do Botafogo, recebeu cartão vermelho por cobrir a boca durante uma discussão com o técnico Jair Ventura. A súmula registrou a expulsão com base na regra adotada para coibir o gesto durante confrontos verbais.
A CBF avalia que o aumento do tempo de bola rolando torna as partidas mais dinâmicas e reduz práticas destinadas apenas a retardar o andamento do jogo. As medidas também serão aplicadas em outras competições nacionais, incluindo Série B, Copa do Brasil e Campeonato Brasileiro Feminino A1.

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