Conflito no Oriente Médio deixa quase 700 mortos e mais de 130 mil deslocados
Foto: Ahmad Al-Basha/AFP
Por Diário do Baiano
Avanço de grupo armado apoiado pelo Irã amplia confrontos, ameaça rota estratégica do comércio mundial e agrava uma das maiores crises humanitárias da região
Uma nova escalada dos conflitos no Oriente Médio já deixou quase 700 mortos, milhares de feridos e provocou o deslocamento de mais de 130 mil pessoas no Iêmen. Os confrontos se intensificaram com o avanço dos houthis, grupo apoiado pelo Irã, contra forças ligadas ao governo iemenita apoiado pela Arábia Saudita.
Segundo informações das Nações Unidas, quase 700 pessoas morreram durante a escalada. O Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados informou que mais de 130 mil pessoas deixaram suas casas desde o início de setembro.
A situação pode se agravar. O ACNUR trabalha com a possibilidade de outras 100 mil pessoas serem obrigadas a abandonar suas casas nos próximos três meses caso os combates continuem. Mais de 3 mil iemenitas também atravessaram o Mar Vermelho em direção à África, principalmente para Djibuti.
Confrontos alcançam área estratégica do Mar Vermelho
Os houthis ampliaram sua presença na costa do Mar Vermelho durante a ofensiva e avançaram sobre áreas próximas ao estreito de Bab al-Mandab, passagem que conecta o Mar Vermelho ao Golfo de Áden.
A região é estratégica para o transporte internacional de mercadorias e energia. O avanço dos combates aumentou a preocupação com a segurança da navegação e com possíveis impactos sobre as rotas utilizadas pelo comércio mundial.
Taiz tornou-se o principal foco da nova crise de deslocamento e concentra mais de 60% das pessoas que tiveram de abandonar suas casas. Também foram registrados deslocamentos em outras regiões do país à medida que os confrontos se espalharam por diferentes frentes.
Fome agrava situação da população
A nova onda de violência atinge uma população que já enfrentava uma grave crise humanitária. Mais de 18 milhões de pessoas vivem em situação de insegurança alimentar aguda e cerca de 2,2 milhões de crianças menores de cinco anos sofrem de desnutrição aguda, segundo dados do Programa Mundial de Alimentos.
O Programa Mundial de Alimentos ampliou sua operação de emergência e já prestou assistência alimentar a cerca de 60 mil pessoas. A agência prepara sua estrutura para atender centenas de milhares de pessoas diante do crescimento das necessidades humanitárias.
A pressão sobre os locais que recebem famílias deslocadas também aumentou. As principais necessidades incluem alimentos, abrigo, água potável, atendimento médico e proteção. Antes mesmo da atual escalada, mais de 5,2 milhões de pessoas já estavam deslocadas dentro do país e mais de 22 milhões necessitavam de algum tipo de assistência humanitária.
O conflito no país começou em 2014 e atravessou diferentes fases ao longo de mais de uma década. O avanço recente dos houthis representa uma nova intensificação da guerra e amplia os efeitos da instabilidade que atinge o Oriente Médio.

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