ESPECIAL | Diário do Baiano mostra os desafios e aprendizados de ser pai nos dias de hoje
Foto: Ilustração/IA
Por Diário do Baiano
Entre trabalho, responsabilidades financeiras, mudanças na vida familiar e a busca por uma presença mais ativa na criação dos filhos, a paternidade contemporânea traz novos desafios. Para quem segura um bebê nos braços pela primeira vez, começa também uma transformação que nenhum manual consegue explicar por inteiro.
Neste domingo, 9 de agosto, o Brasil celebra o Dia dos Pais. É uma data tradicionalmente marcada por homenagens, encontros familiares e presentes, mas que também oferece espaço para refletir sobre o significado da paternidade em uma sociedade que mudou — e continua mudando.
Ser pai hoje envolve responsabilidades que vão muito além da ideia, durante décadas predominante, de que ao homem caberia principalmente garantir o sustento da casa. A paternidade contemporânea cobra presença, participação nos cuidados, diálogo, afeto e divisão das responsabilidades familiares.
Conciliar tudo isso com trabalho, contas, preocupações financeiras e as exigências da vida cotidiana nem sempre é simples.
A presença ganhou um novo significado
A transformação talvez seja mais perceptível dentro de casa. Trocar fraldas, preparar mamadeiras, dar banho, colocar para dormir, acompanhar consultas, participar da escola e conhecer os pequenos acontecimentos da vida dos filhos são tarefas cada vez mais compreendidas como parte da própria paternidade — e não como uma simples “ajuda” à mãe.
A importância dessa participação tem sido destacada inclusive por instituições que trabalham com desenvolvimento infantil. Material produzido pela Universidade Federal da Bahia (Ufba) com apoio do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) ressalta que a paternidade ativa contribui para o cuidado e para o desenvolvimento saudável dos bebês e das famílias, além de fortalecer o vínculo desde os primeiros momentos de vida.
Essa mudança não elimina as dificuldades. Pelo contrário: exige do pai capacidade para administrar responsabilidades profissionais e financeiras ao mesmo tempo em que precisa reservar algo que não pode ser recuperado depois — tempo para os filhos.
E quando é o primeiro filho?
Para o pai de primeira viagem, tudo ganha outra dimensão.
A alegria da chegada de um filho frequentemente divide espaço com dúvidas que até então não existiam. Será que vou saber segurar o bebê? Vou conseguir acalmá-lo? Como entender o choro? Como ajudar minha companheira? E, talvez a pergunta mais difícil: será que vou conseguir ser um bom pai?
Não existe preparação capaz de eliminar completamente essas inseguranças.
Nos primeiros dias, o sono muda, a rotina da casa muda, as prioridades mudam e até a relação do casal precisa encontrar uma nova organização. Enquanto o bebê exige atenção praticamente contínua, pai e mãe também estão aprendendo a desempenhar papéis que nenhuma experiência anterior consegue reproduzir exatamente.
Para o homem, existe ainda o desafio de compreender que participar não significa esperar que alguém diga o que precisa ser feito. A paternidade ativa começa quando ele também assume a responsabilidade pelo cuidado cotidiano.
A legislação começa a acompanhar essa transformação
O debate sobre maior participação dos homens nos primeiros dias de vida dos filhos também chegou à legislação brasileira.
Em março deste ano, foi sancionada a Lei nº 15.371/2026, que ampliará gradualmente a licença-paternidade no Brasil. Em 2026, o período permanece em cinco dias. A partir de 2027 serão dez dias; em 2028, quinze; e, a partir de 2029, vinte dias. A legislação também criou o salário-paternidade e ampliou a proteção para outras categorias de trabalhadores.
A mudança reconhece uma realidade cada vez mais presente: os primeiros dias de uma criança não dizem respeito exclusivamente à maternidade. São também um período fundamental para a construção da relação entre pai e filho.
Não existe pai perfeito
Talvez um dos maiores desafios da paternidade moderna esteja justamente na tentativa de corresponder a tantas expectativas.
O pai precisa trabalhar, sustentar ou contribuir para o sustento da família, educar, proteger, participar, demonstrar afeto e, ao mesmo tempo, lidar com suas próprias inseguranças. Para quem está começando essa jornada, a sensação de não estar preparado pode ser ainda maior.
Mas crianças não precisam de personagens perfeitos.
Precisam de pais que estejam presentes, que escutem, aprendam, reconheçam quando erram e estejam disponíveis para participar da vida delas.
Um pai de primeira viagem certamente cometerá erros. Provavelmente terá medo. Em algum momento ficará exausto e poderá até se perguntar se está fazendo tudo corretamente.
Faz parte do aprendizado.
Porque a experiência de ser pai também nasce junto com o filho.
Mais do que um domingo
O Dia dos Pais passa. A paternidade permanece na segunda-feira, na madrugada sem dormir, na reunião da escola, na consulta médica, na conta para pagar, no conselho difícil, na brincadeira aparentemente sem importância e naquele momento em que uma criança simplesmente procura o pai porque quer que ele esteja por perto.
Presentes fazem parte da comemoração. Fotografias guardam lembranças. Almoços reúnem famílias.
Mas talvez exista algo ainda mais valioso para celebrar neste Dia dos Pais: a presença.
Para os experientes, é mais um capítulo de uma história construída ao longo dos anos.
Para os pais de primeira viagem, é apenas o começo.
E nenhum deles receberá um manual.
Terão que aprender da maneira como praticamente todos os pais aprenderam antes deles: sendo pais, um dia de cada vez.

Concurso da Educação de Salvador oferece 190 vagas e salários de até R$ 6,1 mil
Fiscalização da Receita Federal apreende centenas de produtos falsificados na capital baiana
PF deflagra operação contra abuso sexual infantojuvenil e prende suspeito em flagrante
Três caminhões se envolvem em engavetamento na BR-324
Governo da Bahia publica edital de concurso com 750 vagas para Polícia Civil
Duas embarcações do Sistema Ferry-Boat estão fora de operação nesta semana