Mercado reduz previsão de inflação pela sexta semana seguida, mas índice ainda supera meta
Foto: Marcello Casal Jr | Agência Brasil
Por Diário do Baiano
Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira aponta inflação de 5,02% para 2026; projeções para o crescimento da economia também tiveram pequena redução.
O mercado financeiro reduziu pela sexta semana consecutiva a previsão para a inflação brasileira em 2026. A estimativa para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a inflação oficial do país, passou de 5,03% para 5,02%, segundo o Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira (10) pelo Banco Central.
Há quatro semanas, a expectativa dos analistas consultados pelo Banco Central era de uma inflação de 5,16% para este ano. A sequência de revisões para baixo indica uma melhora gradual das expectativas, embora o percentual projetado continue acima do limite estabelecido pelo sistema de metas.
Inflação ainda está acima do teto da meta
A meta contínua de inflação estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional é de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Isso significa um limite superior de 4,5%.
Com a projeção de 5,02%, portanto, a expectativa do mercado para 2026 ainda permanece acima desse teto.
O Boletim Focus não representa uma previsão feita diretamente pelo Banco Central. O relatório reúne e apresenta as expectativas de instituições do mercado financeiro para indicadores importantes da economia, como inflação, Produto Interno Bruto (PIB), juros e câmbio.
Previsão para crescimento da economia também recua
Além da inflação, os analistas fizeram uma pequena revisão na expectativa para o desempenho da economia brasileira.
A projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026 caiu de 1,99% para 1,98%. A estimativa permanecia em 1,99% havia cinco semanas.
Para 2027, o mercado também reduziu a previsão de crescimento, de 1,57% para 1,52%. Já para 2028, a estimativa permanece em 2%.
Mercado mantém projeções para juros e dólar
A expectativa para a taxa Selic no fim de 2026 permaneceu em 13,75% ao ano. Na semana anterior, os analistas já haviam reduzido essa projeção de 14% para 13,75%.
Atualmente, a taxa básica de juros está em 14% ao ano, depois de o Comitê de Política Monetária (Copom) promover, na reunião encerrada em 5 de agosto, uma redução de 0,25 ponto percentual. Foi o quarto corte consecutivo dos juros.
A Selic é o principal instrumento utilizado pelo Banco Central para controlar a inflação. Juros elevados tendem a encarecer o crédito e reduzir o consumo e os investimentos, enquanto cortes na taxa podem estimular a atividade econômica.
Para o dólar, a previsão do mercado permaneceu em R$ 5,20 no encerramento de 2026, valor que está estável no Focus há oito semanas.
Próximos indicadores serão acompanhados pelo mercado
Apesar da sexta redução consecutiva na estimativa de inflação, o cenário ainda exige atenção porque a projeção permanece acima do teto da meta.
O comportamento dos preços, o nível de atividade econômica e os próximos dados do mercado de trabalho estarão entre os indicadores acompanhados nas próximas decisões sobre os juros.
As novas projeções divulgadas nesta segunda mostram, portanto, dois movimentos simultâneos: o mercado espera uma inflação ligeiramente menor, mas também reduziu a expectativa para o crescimento da economia brasileira em 2026.

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