Novo limite para embarcações muda a rotina de banhistas no Porto da Barra
Foto: Jefferson Peixoto / Secom PMS
Por Diário do Baiano
Primeiro balanço das boias de proteção aponta ausência de invasões na área reservada ao banho. Medida recebeu avaliação positiva de frequentadores, mas também sugestões de melhorias.
A instalação de boias de proteção no Porto da Barra, uma das praias mais movimentadas de Salvador, começa a apresentar resultados positivos. Segundo balanço divulgado pela Prefeitura nesta quarta-feira (21), não houve registros de invasões de embarcações motorizadas na área reservada aos banhistas durante o primeiro período de avaliação do sistema.
Implantado pela Secretaria Especial do Mar (Semar), o projeto delimita um espaço de aproximadamente 90 metros a partir da faixa de areia, impedindo a circulação de embarcações motorizadas nas proximidades de quem utiliza o mar para banho.
A estrutura, cuja instalação foi concluída em 4 de setembro, recebeu investimento de R$ 450 mil, incluindo aquisição de equipamentos, transporte, instalação das boias e sinalização. O projeto-piloto foi aprovado pela Marinha do Brasil.
O sistema utiliza boias amarelas, fixadas em bases de concreto, formando uma área de proteção que separa os banhistas das embarcações. Um trecho permanece livre para permitir a passagem de canoas, caiaques e praticantes de esportes náuticos.
A secretária especial do Mar, Duda Lomanto, avaliou que a medida foi bem recebida por moradores e turistas, contribuindo para organizar o uso do espaço marítimo e prevenir acidentes.
Banhistas aprovam segurança, mas comerciantes sugerem ajustes
Frequentador da praia, o operador de máquinas Jairo Ferreira Lima, de 41 anos, morador de Marechal Rondon, destacou a importância da delimitação para evitar acidentes.
Ele relatou que já presenciou embarcações de maior porte circulando próximas aos banhistas, inclusive em ocasiões em que esteve na praia acompanhado da filha.
A irmã dele, Jaira Ferreira Lima, também de 41 anos, considerou que a separação entre embarcações e banhistas proporciona maior tranquilidade, mas defendeu a continuidade da fiscalização.
O turista italiano Emanuele Macinha, de 36 anos, que visitava Salvador pela primeira vez, também aprovou a iniciativa. Ele ressaltou que a sinalização contribui para a segurança, desde que os frequentadores respeitem os limites estabelecidos.
Entre os comerciantes, a avaliação apresenta algumas ressalvas. Proprietário da Barraca do Malhado há dez anos, Ueliton Júnior Barbosa, de 38 anos, reconheceu os benefícios da medida, mas afirmou que o tamanho das boias interfere na paisagem da praia.
Segundo ele, a extensão da área protegida é adequada, porém os equipamentos poderiam ser menores para reduzir o impacto visual.
Fiscalização funciona 24 horas e terá novas câmeras
De acordo com o inspetor-geral da Guarda Civil Municipal (GCM), Marcelo Silva, o Porto da Barra é monitorado 24 horas por dia, por meio de câmeras de segurança e em articulação com a Capitania dos Portos.
Embora não tenham sido registradas invasões da área destinada aos banhistas, houve uma ocorrência envolvendo um condutor de moto aquática que atracou a embarcação em uma das boias.
O episódio foi registrado e encaminhado à Capitania dos Portos, responsável pela adoção das providências cabíveis.
A Guarda Municipal também anunciou a instalação de novas câmeras, com tecnologia mais avançada, para ampliar a capacidade de monitoramento e identificar possíveis irregularidades.
Neste primeiro momento, a Prefeitura prioriza a orientação dos usuários sobre as regras de circulação no espaço marítimo. Em situações de descumprimento, a Guarda Municipal poderá acionar as autoridades marítimas.
A Secretaria Especial do Mar informou ainda que a experiência poderá servir de referência para a implantação de sistemas semelhantes em outras praias de Salvador.
A ampliação, entretanto, dependerá de avaliações sobre as características de cada local, a circulação de embarcações, a presença de pescadores e as necessidades de segurança dos frequentadores.
A iniciativa busca reduzir os riscos de acidentes e estabelecer uma convivência mais segura entre banhistas e usuários de embarcações na orla da capital baiana.

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