Pix de alto valor na madrugada pode ganhar nova trava contra fraudes
Foto: Bruno Peres/Agência Brasil
Por Diário do Baiano
Banco Central discute ampliar o período de análise de operações consideradas de maior risco; proposta ainda não tem valores nem horários definidos
O Banco Central (BC) estuda novas medidas de segurança para transferências de alto valor realizadas por Pix durante a madrugada. Uma das possibilidades em discussão é permitir que recursos de determinadas operações fiquem retidos por até 72 horas antes de serem liberados ao destinatário, quando houver critérios que indiquem maior risco de fraude.
A proposta ainda está em fase de avaliação e não existe uma nova regra em vigor para todos os Pix feitos durante a madrugada. Também não foram definidos o valor mínimo das transferências que poderiam ser submetidas à análise nem a faixa de horário que seria enquadrada no mecanismo.
A intenção é aumentar o tempo disponível para bancos e fintechs identificarem movimentações suspeitas e reagirem a golpes, roubos, transferências realizadas sob coerção e crimes como sequestros-relâmpago.
Retenção não atingiria todo Pix feito à noite
Entre os parâmetros discutidos estão a combinação entre horário e valor da transferência e a realização de várias operações em sequência durante um curto intervalo. Esses comportamentos poderiam elevar o nível de risco atribuído à movimentação e provocar uma análise adicional.
A proposta busca estabelecer critérios mínimos de segurança para as instituições participantes do Pix, sem impedir que cada banco ou fintech mantenha mecanismos próprios de prevenção a fraudes.
Também está em avaliação a possibilidade de contas utilizadas legitimamente para movimentações de alto valor durante a madrugada serem previamente habilitadas. A medida poderia atender, por exemplo, empresas e clientes que realizam regularmente pagamentos nesse período.
Pix já possui bloqueio cautelar
Atualmente, o sistema já conta com mecanismos para operações consideradas suspeitas. Entre eles está o bloqueio cautelar, que permite à instituição financeira recebedora bloquear preventivamente os recursos por até 72 horas enquanto verifica possíveis indícios de fraude. O mecanismo é previsto nas regras do Banco Central.
O que está sendo discutido é a adoção de parâmetros adicionais para aumentar a proteção especificamente em operações consideradas de maior risco durante a madrugada.
O BC também avalia o uso de inteligência artificial para criar um indicador de probabilidade de fraude nas transações. A classificação serviria como ferramenta adicional para auxiliar os sistemas de segurança das instituições financeiras.
Dados divulgados sobre as discussões apontam redução no índice de fraudes do Pix: foram 4,2 casos a cada 100 mil transações em abril de 2026, contra 11 ocorrências a cada 100 mil operações em julho de 2024.
As propostas continuam em discussão no âmbito do Fórum Pix. Portanto, usuários não precisam alterar a forma de utilização do serviço neste momento. Eventuais novas exigências dependerão da definição e publicação das regras pelo Banco Central.

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