Seca castiga o sertão baiano e ameaça rebanhos com falta de água e alimento
Foto: Raimundo Mascarenhas / Calila Notícias
Por Diário do Baiano
Reservatórios vazios, pastagens ressecadas e aumento dos custos de produção agravam a situação de famílias que dependem da agricultura e da pecuária no território do sisal.
A estiagem prolongada continua provocando prejuízos às comunidades rurais do território do sisal, na Bahia. Em Conceição do Coité e Retirolândia, a falta de chuvas compromete o abastecimento de água, reduz as pastagens e ameaça a sobrevivência dos rebanhos, obrigando produtores a comprar ração e buscar alternativas para manter os animais.
A situação foi constatada em comunidades visitadas na terça-feira (13), onde açudes praticamente secos, plantações de sisal com folhas amareladas e propriedades com poucos animais revelam a gravidade do problema.
Entre as localidades afetadas estão Malhador, Fazenda Peixe, Caruaru e São João, em Conceição do Coité, além da comunidade quilombola de Jitaí e do povoado de Contador, em Retirolândia.
A escassez de alimento natural tem elevado os custos da produção rural. Muitos criadores enfrentam dificuldades para manter bovinos, caprinos e ovinos, enquanto a redução das atividades agrícolas também compromete a renda de famílias que dependem do trabalho no campo.
Produtores relatam dificuldades para manter os animais
Na região de São João, o agricultor José Antônio Alves, de 68 anos, relatou nunca ter enfrentado uma situação semelhante. Além da falta de água e alimento, criadores de ovelhas também enfrentam prejuízos provocados por ataques de cães aos rebanhos.
Na Fazenda Manuel Pereira, o agricultor Dorivaldo Ferreira Lopes, de 83 anos, conhecido como Dunga, mantém registros das chuvas em um caderno. Segundo suas anotações, a última precipitação ocorreu em fevereiro deste ano, quando foram registrados 70 milímetros.
O produtor afirma que, há aproximadamente dez anos, não ocorre na propriedade uma chuva suficientemente forte para provocar enxurradas capazes de encher os tanques e açudes. O relato não significa ausência completa de precipitações nesse período, mas evidencia a dificuldade de recuperação das reservas hídricas.
Na comunidade quilombola de Jitaí, moradores também relatam redução das oportunidades de trabalho, diminuição dos rebanhos e dificuldades para manter as atividades agrícolas.
Açude que abastecia caminhões-pipa está praticamente seco
Um dos cenários mais preocupantes foi encontrado no povoado de Contador, em Retirolândia. O Açude de Maurício, utilizado durante décadas como fonte de abastecimento, apresenta apenas pequenas poças de água.
O morador Juvelino Matos dos Santos, de 42 anos, afirmou nunca ter visto o reservatório nessas condições desde que passou a morar na localidade, em 2011.
Segundo ele, o açude chegou a receber filas de dez a doze caminhões-pipa para retirada de água. Atualmente, o esvaziamento compromete essa alternativa de abastecimento.
A aposentada Celina Maria de Jesus, de 79 anos, recorda que o reservatório era fundamental para a comunidade antes da chegada do fornecimento de água pela Embasa. Atualmente, segundo ela, seu filho utiliza água da rede pública, armazenada em cisterna, para atender aos animais, aumentando as despesas familiares.
O agravamento da estiagem também aparece nos indicadores oficiais. Conforme levantamento da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), a área atingida pela seca na Bahia passou de 90% para 94% entre julho e agosto de 2026. No mesmo período, a seca grave voltou a atingir 36% do território estadual.
Dados do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), referentes a setembro, também apontaram agravamento da seca em áreas do Nordeste.
O Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema) indicou, em boletim divulgado no dia 8 de outubro, predomínio de tempo seco e pouca possibilidade de chuvas significativas em grande parte da Bahia durante a primeira metade do mês.
A recuperação das pastagens e dos reservatórios depende de chuvas suficientes para recompor as reservas de água. Enquanto isso, famílias do território do sisal continuam enfrentando dificuldades para preservar os rebanhos e garantir o sustento no campo.

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