Segurança e alianças presidenciais elevam tensão entre Jerônimo e ACM Neto em debate
Foto: Adriel Francisco
Por Diário do Baiano
Principais adversários na disputa pelo Governo da Bahia trocaram críticas durante primeiro debate eleitoral na Band Bahia; segurança pública e posicionamentos na corrida presidencial estiveram entre os temas que provocaram maior confronto.
A disputa pelo Governo da Bahia ganhou um novo capítulo na noite deste domingo (9). Durante o primeiro debate entre candidatos ao governo baiano promovido pela Band Bahia, o governador Jerônimo Rodrigues (PT) e o ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União Brasil) protagonizaram alguns dos momentos de maior confronto da noite. Ronaldo Mansur (PSol) também participou do encontro.
A segurança pública ocupou espaço central na troca de argumentos entre Jerônimo e ACM Neto. O candidato do União Brasil criticou os resultados da atual administração estadual na área, enquanto o governador defendeu os investimentos realizados e afirmou que o enfrentamento à criminalidade permanece entre as prioridades de sua gestão.
Segurança coloca adversários frente a frente
ACM Neto utilizou o tema para questionar a atuação do governo estadual e argumentou que a parceria política entre a administração baiana e o Governo Federal não teria solucionado os problemas enfrentados pelo estado. Jerônimo respondeu defendendo as políticas implementadas durante sua gestão e destacou investimentos em estrutura, inteligência e ampliação do efetivo das forças de segurança.
Entre os números apresentados pelo governador está a redução dos Crimes Violentos Letais Intencionais (CVLI). Dados da Secretaria da Segurança Pública da Bahia apontam queda de 13,15% em 2025, quando foram registrados 3.884 casos, contra 4.472 em 2024. Segundo balanço da SSP citado durante o debate, a redução chegou a 20,5% no primeiro semestre de 2026.
Jerônimo também citou concursos, contratação de profissionais, novas unidades policiais, aquisição de equipamentos e investimentos em tecnologia e inteligência. O governo informa ter incorporado aproximadamente 11 mil profissionais às forças estaduais desde 2023.
Os números apresentados pelo governo não impediram ACM Neto de manter a segurança como uma das principais linhas de crítica à atual gestão, transformando o assunto em um dos pontos mais tensos do confronto.
Disputa nacional entra no debate baiano
A eleição presidencial também atravessou o debate estadual.
Ronaldo Mansur questionou ACM Neto sobre seu posicionamento nacional e recuperou uma declaração feita pelo então deputado federal em 2005 contra o presidente Lula. Ao responder, Neto afirmou seu apoio à candidatura presidencial de Ronaldo Caiado e voltou a direcionar críticas à administração de Jerônimo.
O posicionamento está de acordo com a estratégia anunciada anteriormente por ACM Neto. Em julho, durante a convenção de seu grupo político, o candidato afirmou que os partidos integrantes de sua aliança na Bahia teriam liberdade para apoiar seus próprios candidatos à Presidência, enquanto ele manteria pessoalmente o apoio a Caiado.
Jerônimo, por sua vez, disputa a reeleição pelo PT, partido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, fazendo com que as alianças nacionais também sejam incorporadas ao embate político pelo Palácio de Ondina.
Primeiro debate expõe tom da campanha
O encontro mostrou que a disputa entre Jerônimo Rodrigues e ACM Neto deverá concentrar boa parte das atenções da campanha estadual.
Os dois chegam ao período eleitoral novamente como adversários depois da eleição de 2022, quando Jerônimo venceu a disputa pelo Governo da Bahia. Agora, quatro anos depois, o confronto ocorre com Jerônimo defendendo o desempenho da administração estadual e Neto tentando transformar áreas como segurança e saúde em pontos centrais de sua oposição.
A competitividade da disputa também aparece nas pesquisas recentes. Levantamento Genial/Quaest divulgado em 29 de julho apontou empate técnico entre os dois candidatos: em uma eventual disputa direta de segundo turno, ACM Neto registrou 43% e Jerônimo Rodrigues, 39%.
O primeiro debate indicou ainda que a campanha baiana não deverá ficar restrita às questões estaduais. Segurança pública, avaliação das gestões e alianças na corrida presidencial já aparecem como campos importantes do confronto político que deve marcar as Eleições 2026 na Bahia.

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