Petrobras confirma petróleo em nova fronteira de exploração no Brasil
Foto: Petrobras/Divulgação
Por Diário do Baiano
Descoberta ocorreu em águas profundas na costa do Amapá; estatal ainda precisa determinar o tamanho da acumulação e avaliar a viabilidade econômica da área
A Petrobras confirmou a presença de petróleo no poço exploratório Morpho, localizado no bloco FZA-M-59, na Bacia da Foz do Amazonas, que integra a Margem Equatorial brasileira. A descoberta amplia as perspectivas de exploração de uma das áreas consideradas estratégicas para a reposição das reservas nacionais.
O poço está localizado em alto-mar, a aproximadamente 175 quilômetros da costa do Amapá, em uma região de águas profundas. A lâmina d’água no ponto da perfuração chega a cerca de 2.886 metros.
A identificação dos hidrocarbonetos ocorreu durante a perfuração exploratória. Apesar da confirmação, a descoberta ainda não significa que exista um campo pronto para produção comercial. A Petrobras precisa concluir os trabalhos e analisar os dados geológicos para determinar o volume existente e a viabilidade econômica de uma eventual exploração.
Tamanho da descoberta ainda é desconhecido
A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, afirmou que a companhia ainda não sabe quanto petróleo existe na área. A perfuração do Morpho deve prosseguir por mais alguns dias para ampliar o conhecimento sobre a formação encontrada.
A descoberta é considerada estratégica porque a estatal busca novas reservas capazes de sustentar a produção brasileira nas próximas décadas. O planejamento da Petrobras prevê US$ 7,1 bilhões em atividades exploratórias entre 2026 e 2030, incluindo investimentos na Margem Equatorial.
O bloco FZA-M-59 foi adquirido pela Petrobras em 2013, na 11ª Rodada de Licitações da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). A companhia é a operadora da área.
A perfuração somente começou depois de um longo processo de licenciamento ambiental. O Ibama concedeu em outubro de 2025 a autorização necessária para o primeiro poço em águas profundas do Amapá. Nesta etapa, a atividade é exclusivamente exploratória e não existe produção comercial de petróleo no local.
Margem Equatorial é aposta para novas reservas
A Margem Equatorial brasileira se estende pelo litoral do Norte e Nordeste e reúne cinco bacias sedimentares offshore, do Amapá ao Rio Grande do Norte. A região passou a ocupar posição de destaque nos planos de exploração da Petrobras diante da necessidade de encontrar novas reservas.
A estatal já obteve descobertas na Bacia Potiguar, também integrante da Margem Equatorial. Em 2024, por exemplo, anunciou uma acumulação de petróleo no poço Anhangá, em águas ultraprofundas entre o Ceará e o Rio Grande do Norte.
A exploração na costa do Amapá, entretanto, também é alvo de debate ambiental. A região possui ecossistemas sensíveis e o avanço das atividades petrolíferas vem sendo questionado por organizações ambientais e representantes de comunidades da Amazônia. A Petrobras sustenta que as operações seguem as exigências do licenciamento e os protocolos de prevenção e resposta a emergências.
A confirmação do petróleo no Morpho representa, portanto, uma descoberta exploratória, e não a confirmação de uma nova reserva comercial. Somente os estudos posteriores poderão indicar a quantidade, a qualidade dos reservatórios e se uma futura produção será técnica e economicamente possível.

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