Após fechar 298 lojas, Casas Bahia prevê cenário ainda pior em 2027
Foto: Luan Julião/Agência A TARDE
Por Diário do Baiano
Presidente da varejista afirma que cenário econômico pode piorar em 2027; grupo fechou 298 lojas e entrou com pedido de recuperação judicial para renegociar R$ 17,3 bilhões em dívidas
O presidente-executivo do Grupo Casas Bahia, Renato Franklin, afirmou que a companhia trabalha com a perspectiva de um cenário econômico mais difícil em 2027 do que em 2026. A avaliação foi apresentada durante uma teleconferência com analistas realizada na segunda-feira (17), em meio a uma ampla reestruturação da varejista.
“Não trabalhamos com melhora no cenário macro. Consideramos que 2027 será pior que 2026”, afirmou o executivo. Segundo Franklin, o endividamento das famílias deverá continuar pressionando o consumo e algumas medidas que deram fôlego aos consumidores neste ano poderão produzir efeitos negativos posteriormente.
A principal preocupação apresentada pela empresa está relacionada às condições de crédito. A Casas Bahia atua fortemente na venda financiada de móveis e eletrodomésticos, segmentos particularmente sensíveis aos juros e à capacidade de pagamento das famílias.
Crédito mais restrito para enfrentar cenário adverso
Diante dessa perspectiva, a varejista está adotando critérios mais rigorosos na concessão de financiamento aos clientes. A estratégia busca reduzir o risco de inadimplência em um período no qual a própria companhia prevê maior dificuldade para os consumidores honrarem compromissos financeiros.
Franklin apontou os juros elevados como um dos fatores que pressionam o setor. Produtos como geladeiras, fogões, televisores e móveis possuem tíquete médio mais elevado e são frequentemente adquiridos de forma parcelada, tornando as condições de financiamento decisivas para as vendas.
O executivo também indicou que a companhia não prevê uma retomada significativa do crescimento no curto prazo. A prioridade será reorganizar a operação, melhorar a rentabilidade e preservar caixa antes de uma eventual nova fase de expansão.
A redução da estrutura física faz parte dessa estratégia. O grupo decidiu fechar 298 lojas consideradas menos rentáveis, número equivalente a quase 30% da rede. Segundo Franklin, o movimento foi concentrado em uma única etapa e a companhia não trabalha, neste momento, com outra rodada semelhante de encerramentos.
Recuperação judicial envolve R$ 17,3 bilhões
O cenário apresentado pelo presidente ocorre logo após o Grupo Casas Bahia protocolar pedido de recuperação judicial, mecanismo previsto em lei para permitir que empresas financeiramente pressionadas reorganizem suas dívidas e mantenham as atividades.
O processo envolve aproximadamente R$ 17,3 bilhões em dívidas e abrange dez empresas da holding. A maior parcela corresponde a obrigações com credores sem garantias, além de débitos trabalhistas e valores devidos a pequenas empresas.
No segundo trimestre de 2026, o grupo registrou prejuízo líquido de R$ 10,1 bilhões. Uma parcela expressiva desse resultado decorreu de efeitos contábeis sem impacto imediato sobre o caixa, incluindo baixas relacionadas a impostos diferidos e ajustes decorrentes da reorganização da companhia.
A empresa também reduziu seu quadro de funcionários como parte da reestruturação. As estimativas divulgadas após os cortes variam conforme o período considerado, mas milhares de trabalhadores foram atingidos pelas medidas associadas ao enxugamento da operação.
O pedido de recuperação judicial não significa encerramento das atividades. O objetivo declarado pela companhia é renegociar obrigações financeiras, preservar a operação e buscar condições para recuperar a sustentabilidade do negócio.
A avaliação apresentada por Renato Franklin indica, entretanto, que a direção não estrutura esse processo contando com uma melhora rápida da economia. A estratégia adotada considera um ambiente de crédito mais restrito, consumidores endividados e juros ainda pressionando as vendas de bens duráveis.

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