Reajuste na Refinaria de Mataripe pressiona preços dos combustíveis na Bahia
Foto: Ilustração/IA
Por Diário do Baiano
Diesel teve as maiores altas anunciadas pela Acelen, enquanto gasolina também sofreu reajuste; impacto nas bombas dependerá das demais etapas da cadeia.
Os preços dos combustíveis voltaram a sofrer pressão na Bahia depois de um novo reajuste promovido pela Acelen, responsável pela Refinaria de Mataripe. Os novos valores entraram em vigor na quinta-feira (17) e atingem o diesel e a gasolina vendidos na origem da cadeia de abastecimento.
Segundo dados divulgados pelo Sindicombustíveis Bahia, o diesel S-10 teve aumento de R$ 0,7046 por litro, enquanto o diesel S-500 subiu R$ 0,8746 por litro. Para a gasolina A, combustível puro que posteriormente recebe a mistura obrigatória de etanol, a elevação informada foi de R$ 0,1025 por litro.
Em termos percentuais, informações divulgadas sobre o reajuste apontam altas de 12,9% para o diesel S-10, 17,3% para o S-500 e 4% para a gasolina.
Os valores se referem à etapa anterior à venda nos postos. Isso significa que o reajuste não deve ser interpretado automaticamente como aumento de igual valor nas bombas. O preço final ao consumidor depende também das distribuidoras, da mistura de biocombustíveis, dos tributos, da logística, dos custos de operação e das margens praticadas ao longo da cadeia.
Diesel concentra maior pressão
A alta ocorre em meio às medidas adotadas pelo governo federal para tentar amortecer os efeitos do aumento internacional do diesel. Uma subvenção de R$ 1 por litro foi regulamentada pelo Ministério da Fazenda por meio da Portaria nº 2.813/2026, nos termos da Medida Provisória nº 1.391/2026.
A participação no mecanismo, entretanto, depende da adesão dos produtores e importadores habilitados. Até a divulgação do posicionamento do Sindicombustíveis Bahia, não havia informação de adesão da Acelen ao programa.
A Petrobras aderiu ao mecanismo federal. A estatal anunciou aumento de R$ 1 por litro no diesel vendido às distribuidoras, acompanhado de desconto no mesmo valor decorrente da subvenção, mantendo inalterado o preço efetivamente cobrado de seus clientes nessa operação.
O Sindicombustíveis Bahia manifestou preocupação com uma eventual diferença de custos entre a Bahia e estados vizinhos abastecidos por refinarias da Petrobras. Para a entidade, esse cenário pode afetar a competitividade do mercado baiano.
Reflexo nas bombas ainda dependerá dos postos
A Acelen afirma que sua política de preços considera fatores como as cotações internacionais do petróleo, o câmbio e os custos de frete, variáveis que podem sofrer alterações ao longo do tempo.
Já o Sindicombustíveis destaca que os postos representam a última etapa da cadeia e compram os produtos das distribuidoras. Cada revendedor administra individualmente seus custos, estoques e despesas operacionais.
Por isso, ainda não é possível estabelecer um aumento único para o consumidor em toda a Bahia. Eventuais repasses podem variar conforme a distribuidora, o município e cada estabelecimento.
Antes do novo reajuste da Refinaria de Mataripe, o levantamento mais recente da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), referente ao período de 6 a 12 de setembro, já apontava variações nos preços dos combustíveis comercializados no país. A próxima pesquisa da agência deverá permitir avaliar de forma mais precisa quanto da nova alta chegou efetivamente às bombas na Bahia.

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