Granizo e ventania espalham destruição e levam cidade baiana a decretar emergência
Foto: Reprodução/TV Bahia
Por Diário do Baiano
Temporal atingiu Itambé, no sudoeste do estado, danificou centenas de residências e deixou mais de 500 famílias desabrigadas ou desalojadas. Morador de 35 anos sobreviveu ao desabamento da própria casa.
Um forte temporal acompanhado de granizo e rajadas de vento deixou um rastro de destruição em Itambé, no sudoeste da Bahia, na tarde de segunda-feira (19). A tempestade provocou desabamentos, destelhamentos de centenas de imóveis, alagamentos e interrupções no fornecimento de energia elétrica. Segundo informações atribuídas à Prefeitura, mais de 500 famílias ficaram desabrigadas ou desalojadas.
Os moradores passaram a terça-feira (20) contabilizando prejuízos e tentando recuperar o que restou de suas residências. A força da ventania arrancou telhados, derrubou árvores e postes de energia e espalhou destroços por diferentes bairros.
De acordo com a administração municipal, a chuva começou por volta das 15h e acumulou 25 milímetros em aproximadamente 50 minutos. Apesar do volume relativamente concentrado, a combinação de precipitação intensa, granizo e ventos fortes provocou danos expressivos.
Entre as situações mais graves está o desabamento de uma residência no bairro Felipe Achy, onde um homem de 35 anos ficou soterrado sob os escombros.
Sobrevivente relata desespero após perder a casa
O morador Roberto Rocha Santos, de 35 anos, estava dentro de casa quando a estrutura desabou. Ele foi surpreendido pela queda de terra e materiais da construção, ficando preso entre os destroços.
Ao recordar o ocorrido, Roberto se emocionou e contou que não sabia como escapar. O morador atribuiu sua sobrevivência a um milagre.
Apesar da gravidade do acidente, ele sofreu ferimentos leves. Roberto foi socorrido e encaminhado à Santa Casa de Misericórdia de Itambé, onde recebeu atendimento médico e posteriormente teve alta.
Da residência onde morava, restaram poucas paredes. Móveis, eletrodomésticos e outros pertences foram danificados pelo desabamento e pela água da chuva.
Outros moradores também enfrentaram situações de risco. A consultora de clientes Edilene dos Santos encontrou a própria casa invadida por estruturas metálicas arrancadas do telhado de um imóvel vizinho.
Ela contou que ficou muito abalada ao ver os estragos, mas demonstrou alívio porque ninguém estava na residência no momento do acidente.
O motorista Waldomiro da Silva, proprietário do prédio de onde parte da cobertura foi arrancada, também relatou surpresa com a intensidade da tempestade, afirmando que já havia presenciado outras chuvas fortes, mas não uma situação semelhante.
Prefeitura decreta situação de emergência por 180 dias
Diante da dimensão dos prejuízos, a Prefeitura de Itambé publicou, na terça-feira (20), o Decreto Municipal nº 74/2026, declarando situação de emergência em todo o território do município.
A medida terá validade de 180 dias e permite a adoção de procedimentos administrativos emergenciais para acelerar a aquisição de materiais, contratação de serviços e realização de obras destinadas ao atendimento das famílias e à recuperação das áreas danificadas.
A decisão foi tomada após reunião do Gabinete de Crise, com a participação da Coordenadoria Municipal de Proteção e Defesa Civil (COMPDEC) e representantes das secretarias municipais.
Equipes da Prefeitura foram mobilizadas para retirar árvores caídas, remover entulhos, liberar vias públicas e avaliar as condições de segurança de imóveis atingidos.
Nos bairros Durvalina Andrade e Bela Vista, a queda de postes comprometeu o fornecimento de energia elétrica. A Neoenergia Coelba foi acionada para substituir equipamentos danificados e restabelecer o serviço.
A Secretaria Municipal de Assistência Social também iniciou o cadastramento das famílias prejudicadas, com o objetivo de identificar necessidades de acolhimento e assistência emergencial.
O levantamento inicial da Prefeitura, divulgado na noite de segunda-feira, apontava três pessoas desabrigadas. Posteriormente, a cobertura jornalística informou mais de 500 famílias desabrigadas ou desalojadas, sem apresentar a divisão exata entre essas duas situações.
A distinção é importante: desabrigados são aqueles que precisam de abrigo temporário após perderem as condições de permanecer em suas casas, enquanto desalojados deixam suas residências e encontram acolhimento em outros locais, como casas de familiares.
Até as informações disponíveis nesta quarta-feira (21), não havia confirmação de mortes provocadas pelo temporal.
A Defesa Civil municipal permanece mobilizada para vistoriar estruturas comprometidas e orientar moradores de áreas de risco. Solicitações de atendimento podem ser encaminhadas pelo WhatsApp (77) 99839-0037. Em emergências, a população também pode acionar a Defesa Civil pelo número 199.

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