Confissão não sustenta condenação por morte de três mulheres no sul da Bahia
Foto: Reprodução/Redes Sociais
Por Diário do Baiano
Justiça considerou insuficientes as provas contra Thierry Lima da Silva, acusado do crime ocorrido em Ilhéus. Ministério Público recorreu da absolvição, e o réu permanece preso por outro processo.
A Justiça da Bahia absolveu Thierry Lima da Silva, acusado de matar três mulheres durante uma tentativa de assalto em Ilhéus, no sul do estado, em agosto de 2025. Apesar de ter confessado os crimes à Polícia Civil, ele foi absolvido por insuficiência de provas capazes de comprovar sua participação nos assassinatos.
A sentença foi proferida em 8 de outubro de 2026 pela juíza Emanuele Vita, da 1ª Vara Criminal de Ilhéus. A decisão ganhou repercussão nesta terça-feira (3), após a divulgação de informações sobre o julgamento e o recurso apresentado pelo Ministério Público da Bahia (MP-BA).
O MP-BA recorreu da absolvição cinco dias depois da sentença. Com isso, a discussão judicial sobre a responsabilidade do acusado permanece em andamento, sem data divulgada para uma nova audiência ou decisão sobre o recurso.
As vítimas foram as professoras Alexsandra Oliveira Suzart, de 45 anos, e Maria Helena do Nascimento Bastos, de 41, além da estudante universitária Mariana Bastos da Silva, de 20 anos, filha de Maria Helena.
As três desapareceram em 15 de agosto de 2025, após saírem para caminhar com um cachorro na Praia dos Milionários. Os corpos foram encontrados na manhã seguinte, em uma área de vegetação próxima à praia, com ferimentos provocados por golpes de faca.
Perícias não confirmaram ligação do acusado com os crimes
Thierry foi detido em agosto de 2025, inicialmente por suspeita de tráfico de drogas. Durante depoimento à Polícia Civil, afirmou ter cometido os assassinatos sozinho, durante uma tentativa de roubo.
A investigação reuniu imagens de câmeras de segurança, depoimentos de testemunhas, diligências policiais e exames periciais. O inquérito foi concluído em dezembro daquele ano, e o Ministério Público apresentou denúncia posteriormente aceita pela Justiça, em janeiro de 2026.
Entretanto, os exames realizados pelo Departamento de Polícia Técnica (DPT) não identificaram material genético do acusado nas amostras examinadas dos corpos das vítimas.
Também não foi encontrado DNA de Thierry ou das três mulheres nas facas apreendidas e submetidas à análise.
A ausência de elementos técnicos que vinculassem diretamente o acusado aos assassinatos foi considerada relevante para a decisão judicial.
A absolvição por insuficiência de provas não equivale à comprovação de inocência. Significa que, na avaliação da Justiça, o conjunto probatório apresentado não foi suficiente para sustentar uma condenação criminal.
O Ministério Público, por sua vez, busca a revisão da sentença por entender que existem elementos capazes de fundamentar a responsabilização do acusado.
Acusado continua preso por outro homicídio
Embora a Justiça tenha determinado sua soltura no processo referente às três mulheres, Thierry não deixou a prisão.
Ele permanece custodiado no Conjunto Penal de Itabuna devido a outro mandado de prisão preventiva, relacionado à morte de Lucas dos Santos Nascimento, seu companheiro.
Lucas morreu em agosto de 2025, após permanecer hospitalizado em decorrência de ferimentos sofridos em uma agressão. Segundo a Polícia Civil, Thierry também confessou envolvimento nesse episódio, atribuindo a violência a uma discussão motivada por ciúmes.
A investigação dessa morte constitui um procedimento distinto daquele relacionado às três mulheres.
O assassinato de Alexsandra, Maria Helena e Mariana provocou forte comoção em Ilhéus e motivou manifestações de moradores, familiares e amigos em busca de justiça.
Com o recurso apresentado pelo Ministério Público, a absolvição ainda poderá ser reexaminada pela Justiça. Até esta quarta-feira (4), não havia confirmação de uma nova decisão que modificasse a sentença divulgada.

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