Crise da Casas Bahia deixa grupo Bradesco exposto a quase R$ 5 bilhões
Foto: Divulgação Casas Bahia
Por Diário do Baiano
Créditos do Bradesco e do Banco Digio somam R$ 4,78 bilhões na relação de dívidas da varejista, que pediu recuperação judicial com passivo declarado de R$ 17,3 bilhões.
A recuperação judicial do Grupo Casas Bahia abriu uma frente de preocupação para grandes instituições financeiras do país. Considerando os créditos registrados em nome do Bradesco e do Banco Digio, controlado pelo grupo financeiro, a exposição conjunta chega a aproximadamente R$ 4,78 bilhões.
O valor é formado por cerca de R$ 1,5 bilhão atribuído diretamente ao Bradesco e aproximadamente R$ 3,28 bilhões relacionados ao Digio. Com a soma das duas posições, o grupo Bradesco aparece como o conglomerado financeiro com maior exposição à varejista.
Parte dos créditos fica fora do plano de recuperação
Do montante de R$ 4,78 bilhões relacionado ao grupo Bradesco, aproximadamente R$ 3,35 bilhões são classificados como créditos extraconcursais. Essa categoria não se submete às mesmas condições de pagamento previstas para os créditos incluídos diretamente no plano de recuperação judicial.
A existência de créditos extraconcursais é relevante para dimensionar o risco. Portanto, os R$ 4,78 bilhões representam a exposição financeira identificada, mas não significam automaticamente que o Bradesco terá prejuízo nesse mesmo valor.
O pedido de recuperação judicial da Casas Bahia foi protocolado na Justiça de São Paulo. A companhia declarou R$ 17,3 bilhões em dívidas submetidas ao processo, distribuídas entre milhares de credores. Quando considerados também créditos extraconcursais, que ficam fora do plano, o conjunto de obrigações supera R$ 27 bilhões.
Entre os principais credores também está o Banco do Brasil, com aproximadamente R$ 2,99 bilhões. A lista reúne ainda a Zurich, com cerca de R$ 1,98 bilhão, além de grandes fornecedores do setor de eletroeletrônicos. A Samsung, por exemplo, aparece com aproximadamente R$ 937,6 milhões a receber.
Banco vinha apresentando melhora nos resultados
A exposição ocorre em um momento no qual o Bradesco apresenta recuperação de indicadores financeiros. No segundo trimestre de 2026, o banco registrou lucro líquido recorrente de R$ 7,05 bilhões e retorno anualizado sobre o patrimônio líquido de 16%.
A discussão agora se concentra no nível de proteção existente para esses créditos e no eventual impacto que a recuperação judicial poderá provocar nas provisões do banco. O tamanho de uma perda efetiva dependerá das características dos contratos, das garantias e da recuperação dos valores ao longo do processo.
A Casas Bahia afirma que a recuperação judicial é uma ferramenta para reorganizar seu passivo e preservar a continuidade das operações. O grupo já vinha realizando uma ampla reestruturação, que incluiu fechamento de lojas, redução de investimentos e cortes no quadro de funcionários.

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