ESPECIAL | O poder de uma escolha: o que está em jogo quando o eleitor aperta “confirma”
Foto: Ilustração/IA
Por Diário do Baiano
Mais de 158 milhões de brasileiros estão aptos a votar em outubro; entender o peso de cada escolha e o efeito dos votos brancos e nulos também faz parte da decisão
No dia 4 de outubro, mais de 158 milhões de eleitores estarão aptos a participar de uma decisão que ultrapassa os poucos segundos diante da urna eletrônica. Nas eleições deste ano, serão escolhidos presidente da República, governadores, senadores, deputados federais e deputados estaduais ou distritais.
O voto é individual e secreto, mas seus efeitos são coletivos. Os eleitos participarão de decisões sobre orçamento público, saúde, educação, segurança, infraestrutura, impostos, programas sociais e inúmeras outras áreas que afetam diretamente a população.
Por isso, a responsabilidade do eleitor começa antes da chegada à seção eleitoral. Conhecer os candidatos, comparar propostas, verificar informações e compreender as atribuições de cada cargo são instrumentos para que a escolha seja feita de maneira consciente.
Voto branco ou nulo não vai para nenhum candidato
Uma dúvida recorrente em períodos eleitorais envolve os votos brancos e nulos. Pela legislação brasileira, nenhum deles é considerado voto válido para a definição do resultado.
Isso significa que o voto branco ou nulo não é transferido para quem estiver na frente, não é contabilizado para qualquer candidato e também não provoca a realização de uma nova eleição, ainda que brancos e nulos representem uma parcela elevada dos votos depositados nas urnas.
Nas disputas para presidente da República e governador, um candidato vence no primeiro turno se obtiver mais da metade dos votos válidos. Nesse cálculo, votos brancos e nulos são excluídos.
Na prática, quanto maior o número de eleitores que optam por branco ou nulo, menor será o universo de votos válidos utilizado para determinar a maioria necessária. Isso não significa que esses votos sejam entregues ao vencedor. Significa apenas que quem vota branco ou nulo decide não participar da escolha entre os candidatos daquela disputa.
Um exemplo simples ajuda a entender: se 100 pessoas votarem, mas 20 anularem ou votarem em branco, o resultado será calculado sobre os 80 votos válidos. Para uma eleição majoritária que exige maioria absoluta, serão esses votos válidos — e não os 100 comparecimentos — que servirão de base para o cálculo.
Escolha consciente começa antes da urna
Responsabilidade eleitoral não significa existir uma única escolha considerada correta. Cada cidadão tem liberdade para avaliar propostas, trajetórias e prioridades de acordo com seus próprios critérios. O ponto central é ter acesso à informação suficiente para tomar essa decisão conscientemente.
Antes de escolher, o eleitor pode consultar informações oficiais sobre candidaturas, observar propostas apresentadas, conhecer a trajetória dos concorrentes e verificar se aquilo que circula nas redes sociais corresponde aos fatos.
Também é importante diferenciar as atribuições dos cargos. Um deputado não possui as mesmas competências de um governador; um senador exerce funções diferentes das de um presidente. Promessas incompatíveis com as atribuições do cargo devem ser analisadas com atenção.
O cuidado com informações recebidas por aplicativos de mensagens e redes sociais também ganha importância durante a campanha. Conteúdos recortados, vídeos fora de contexto, montagens e informações falsas podem interferir na percepção do eleitor. Conferir a origem de uma informação antes de compartilhá-la é uma forma de reduzir a circulação de desinformação.
O primeiro turno será realizado em 4 de outubro de 2026. Caso seja necessário segundo turno nas disputas para presidente ou governador, a votação ocorrerá em 25 de outubro.
Até lá, campanha, debates, entrevistas e propostas continuarão disputando a atenção do eleitor. No momento da votação, porém, a decisão pertence exclusivamente a cada cidadão.
Mais do que escolher nomes, votar significa participar da definição de quem exercerá funções públicas e tomará decisões em nome da sociedade pelos próximos anos. Saber como o voto funciona é parte desse processo.

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