Esquema com falsa plataforma de investimentos teria movimentado R$ 188 milhões
Foto: Divulgação/Polícia Civil do Rio Grande do Sul
Por Diário do Baiano
Operação Dark Wallet cumpriu 18 mandados de busca em Pernambuco e apura estelionato eletrônico, lavagem de dinheiro e atuação de organização criminosa
Uma operação policial investiga um esquema de fraudes eletrônicas que utilizava falsas plataformas de investimento para atrair vítimas e teria movimentado mais de R$ 188 milhões. A ação, batizada de Operação Dark Wallet, foi coordenada pela Polícia Civil de Goiás e contou com apoio da Polícia Civil de Pernambuco e do Laboratório de Operações Cibernéticas (Ciberlab), do Ministério da Justiça e Segurança Pública.
As investigações começaram após uma vítima relatar prejuízo superior a R$ 640 mil depois de realizar aportes em uma suposta plataforma internacional que prometia alta rentabilidade. Segundo a polícia, os investigados simulavam lucros em painéis virtuais e permitiam pequenos saques no início para transmitir credibilidade e estimular novos depósitos.
Na etapa da operação realizada em Pernambuco, foram cumpridos 18 mandados de busca e apreensão domiciliar, além de medidas de sequestro de bens e valores e quebra de sigilos bancários e telemáticos determinadas pela Justiça.
Empresas de fachada eram usadas para movimentar dinheiro
De acordo com a investigação, os recursos enviados pelas vítimas eram direcionados a empresas de fachada utilizadas como contas de passagem. Depois do recebimento, os valores eram pulverizados por meio de sucessivas transferências para dificultar o rastreamento da origem e do destino do dinheiro.
O acompanhamento dos fluxos financeiros identificou movimentação superior a R$ 188 milhões em dezenas de milhares de transações envolvendo empresas formalmente constituídas, pessoas interpostas e outras estruturas utilizadas, segundo a polícia, para ocultar ou dissimular os recursos.
Os investigados podem responder, conforme a participação atribuída a cada um, por estelionato eletrônico, organização criminosa e lavagem de dinheiro. O Ministério da Justiça informou que a soma das penas máximas previstas para esses crimes pode ultrapassar 26 anos de prisão.
Investigação busca identificar outras vítimas
A Polícia Civil informou que o material eletrônico e financeiro apreendido será analisado para aprofundar o rastreamento patrimonial e identificar outros possíveis envolvidos no esquema.
Outra frente da investigação busca localizar novas vítimas e bens supostamente adquiridos com recursos obtidos de forma ilícita, com possibilidade de bloqueio patrimonial para eventual ressarcimento dos prejuízos.
O nome Dark Wallet faz referência, segundo o Ministério da Justiça, ao uso de estruturas financeiras ocultas, empresas de fachada e contas utilizadas para dificultar a identificação da origem dos valores movimentados.

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