Vitória de Lula abre nova rodada de diálogo com governos de diferentes continentes
Foto: Paulo Pinto | Agência Brasil
Por Diário do Baiano
Presidentes e representantes internacionais reconhecem resultado das eleições brasileiras e defendem ampliação de parcerias comerciais, diplomáticas e ambientais; Estados Unidos adotam postura diferente.
A reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), confirmada no domingo (25), provocou uma série de manifestações de líderes internacionais, que reconheceram o resultado das urnas e sinalizaram interesse em ampliar a cooperação com o Brasil. As mensagens vieram de governos da América Latina, Europa, Ásia e África, além de representantes de organizações multilaterais.
Lula derrotou o senador Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno das Eleições 2026, conquistando seu quarto mandato presidencial. O resultado mobilizou dirigentes de diferentes orientações políticas, que destacaram a importância das relações com o Brasil, independentemente das divergências ideológicas.
Entre os primeiros a se manifestar estavam os presidentes do Chile, Paraguai, Uruguai, Bolívia, México e Panamá. Posteriormente, governos europeus e integrantes do Brics também divulgaram mensagens de reconhecimento e compromissos de continuidade das relações bilaterais.
O presidente da França, Emmanuel Macron, felicitou Lula e defendeu o fortalecimento da parceria estratégica entre os dois países. O dirigente francês ressaltou que Brasil e França possuem desafios comuns e podem ampliar a cooperação em áreas de interesse internacional.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, também parabenizou o brasileiro, destacando a defesa da democracia, do multilateralismo, do comércio internacional e das políticas de enfrentamento às mudanças climáticas.
Na Espanha, o primeiro-ministro Pedro Sánchez comemorou a vitória e interpretou o resultado como um sinal de fortalecimento das forças progressistas no cenário internacional.
América Latina destaca integração econômica e segurança
Na América do Sul, as manifestações de reconhecimento partiram tanto de governos próximos politicamente a Lula quanto de dirigentes conservadores.
O presidente do Chile, José Antonio Kast, informou que conversou por telefone com o brasileiro e defendeu a continuidade da cooperação nas áreas de integração econômica e combate ao crime organizado.
O paraguaio Santiago Peña ressaltou que Brasil e Paraguai compartilham interesses relacionados ao desenvolvimento regional. Já o presidente uruguaio Yamandú Orsi destacou o processo democrático brasileiro e confirmou ter conversado com Lula após a divulgação do resultado.
A presidente do México, Claudia Sheinbaum, comemorou a reeleição e saudou a participação dos brasileiros na escolha do próximo governo.
Na Bolívia, Rodrigo Paz manifestou interesse em fortalecer os vínculos históricos, econômicos e diplomáticos entre os dois países. O presidente do Equador, Daniel Noboa, também felicitou Lula, destacando a importância da cooperação regional diante de desafios comuns.
A presidente do Peru, Keiko Fujimori, defendeu o aprofundamento da integração bilateral e a colaboração para o desenvolvimento sustentável da Amazônia.
Na Colômbia, o presidente Abelardo de la Espriella reconheceu a vitória de Lula, apesar das diferenças políticas entre os dois governantes. Ele afirmou que a vontade expressa pelos eleitores deve ser respeitada e defendeu a cooperação entre os países em segurança, proteção ambiental e combate ao crime organizado.
Europa, Brics e Estados Unidos apresentam posições distintas
Entre os integrantes do Brics, a reeleição também recebeu manifestações de reconhecimento.
O primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, parabenizou Lula e defendeu a ampliação da parceria estratégica entre os dois países, com atenção à cooperação econômica e às prioridades compartilhadas pelas nações do Sul Global.
Na China, o Ministério das Relações Exteriores reconheceu o resultado das eleições brasileiras e declarou disposição para aprofundar as relações bilaterais. O porta-voz Guo Jiakun afirmou que o governo chinês respeita a escolha dos eleitores brasileiros.
O presidente da Rússia, Vladimir Putin, também felicitou Lula, destacando sua atuação nas relações entre os dois países e no fortalecimento do Brics.
Na África do Sul, o presidente Cyril Ramaphosa classificou a vitória como relevante para o Sul Global e reafirmou o compromisso de manter a cooperação bilateral e multilateral com o Brasil.
O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, parabenizou Lula e agradeceu pelo apoio brasileiro à soberania e à integridade territorial ucraniana, manifestando interesse em ampliar a cooperação entre os países.
O primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, apontou oportunidades para fortalecer o comércio, proteger o meio ambiente e ampliar os benefícios econômicos da parceria com o Brasil.
A repercussão, entretanto, não foi uniforme. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, questionou na segunda-feira (26) o processo eleitoral brasileiro, afirmando, sem apresentar provas, que a votação lhe pareceu fraudada. Apesar das críticas, declarou manter uma boa relação pessoal com Lula.
O vice-presidente brasileiro, Geraldo Alckmin, considerou equivocada a avaliação de Trump e defendeu o respeito à soberania brasileira. Até a última atualização das informações consultadas, o governo norte-americano não havia divulgado uma mensagem formal de congratulação ao presidente reeleito.
O presidente argentino Javier Milei também não havia apresentado manifestação pública de reconhecimento da vitória até os levantamentos divulgados na segunda-feira.
A Organização dos Estados Americanos (OEA), por meio de seu secretário-geral, Albert Ramdin, destacou a participação dos brasileiros no segundo turno eleitoral.
As manifestações internacionais abrem espaço para a continuidade de negociações sobre comércio, investimentos, segurança, meio ambiente e cooperação diplomática. Entretanto, as mensagens de congratulação não representam, por si só, a formalização de novos acordos.
Com o quarto mandato previsto para começar em 5 de janeiro de 2027, Lula terá pela frente a tarefa de administrar relações com governos de diferentes orientações políticas, preservando parcerias existentes e negociando interesses brasileiros no cenário internacional.

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