Covid-19 volta a apresentar aumento de casos graves em cinco estados
Foto: Tony Winston/Agência Brasília
Por Diário do Baiano
Casos graves de covid-19 apresentam sinais de crescimento em cinco unidades da Federação. Na Bahia, o aumento está associado ao metapneumovírus, que também preocupa autoridades de saúde.
O Brasil apresenta novos sinais de crescimento de infecções respiratórias graves, incluindo casos provocados pela covid-19. O alerta consta no boletim InfoGripe divulgado na quinta-feira (5) pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), com dados referentes à semana epidemiológica de 25 a 31 de outubro.
O levantamento identificou tendência de aumento dos casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) associados à covid-19 em Mato Grosso, Distrito Federal, São Paulo, Rio de Janeiro e Santa Catarina.
Apesar da elevação, a Fiocruz ressalta que a incidência da doença permanece em níveis muito baixos nas quatro últimas unidades mencionadas. Em Mato Grosso, o coronavírus aparece como um dos principais responsáveis pelo crescimento das ocorrências graves.
A SRAG é uma complicação respiratória que pode provocar dificuldade para respirar, redução da oxigenação do organismo e necessidade de internação hospitalar. Além da covid-19, a síndrome pode ser causada por diferentes vírus respiratórios.
Bahia registra avanço de outro vírus respiratório
Na Bahia, o boletim aponta aumento de casos graves associados ao metapneumovírus humano, agente que pode provocar infecções respiratórias e complicações como bronquiolite e pneumonia.
O crescimento também foi identificado em São Paulo, Rio de Janeiro, Santa Catarina, Paraná, Alagoas, Pernambuco, Paraíba e Sergipe.
A informação não significa que a Bahia esteja entre as cinco unidades da Federação com tendência de aumento de casos graves especificamente por covid-19. O sinal de crescimento identificado no estado está relacionado ao metapneumovírus.
O monitoramento nacional também aponta Roraima, Sergipe e Santa Catarina com incidência geral de SRAG em níveis de alerta, risco ou alto risco, embora sem tendência de crescimento sustentado no longo prazo.
Entre as capitais, Aracaju e João Pessoa apresentam simultaneamente níveis elevados de atividade da síndrome e sinais de aumento ao longo das últimas semanas.
Crianças e idosos exigem maior atenção
Nas quatro semanas epidemiológicas analisadas, o rinovírus foi identificado em 50,1% dos casos de SRAG com resultado positivo para vírus respiratórios. A covid-19 respondeu por 8,5%, seguida pelo vírus sincicial respiratório, com 10,1%, influenza B, com 4,7%, e influenza A, com 4,2%.
Entre os óbitos de pacientes com identificação positiva de vírus respiratórios no mesmo período, o rinovírus esteve presente em 43% dos registros, enquanto o coronavírus foi identificado em 24,1%.
Esses percentuais representam a participação dos agentes infecciosos entre os registros positivos analisados, e não a taxa de mortalidade das pessoas infectadas.
Desde o início de 2026, o Brasil notificou 171.369 casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave. Desse total, 91.420 tiveram confirmação laboratorial de algum vírus respiratório, equivalentes a 53,3%. Outros 62.823 apresentaram resultado negativo, enquanto pelo menos 7.457 aguardavam conclusão dos exames.
A análise epidemiológica mostra que crianças de até 2 anos apresentam maior incidência de casos graves, especialmente associados ao rinovírus, ao vírus sincicial respiratório e ao metapneumovírus.
Já entre pessoas com 65 anos ou mais, o impacto é maior no indicador de mortalidade, reforçando a necessidade de proteção dos grupos mais vulneráveis.
A pesquisadora Tatiana Portella, integrante do Programa de Computação Científica da Fiocruz, destaca que a vacinação continua sendo a principal medida para prevenir complicações graves e mortes por covid-19.
A recomendação é que os integrantes dos grupos prioritários mantenham a imunização atualizada conforme as orientações do Ministério da Saúde.
Pessoas com sintomas respiratórios devem adotar medidas para reduzir a transmissão, enquanto sinais como falta de ar, dificuldade respiratória e agravamento rápido do quadro exigem avaliação médica.
Os indicadores do InfoGripe são atualizados periodicamente e podem sofrer alterações conforme novos registros e resultados laboratoriais sejam incorporados ao sistema de vigilância.

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