Avião com formato de arraia aposta em menor consumo para transformar viagens aéreas
Foto: Divulgação/JetZero
Por Diário do Baiano
Z4, desenvolvido pela americana JetZero, terá capacidade para cerca de 250 passageiros e promete consumir até 50% menos combustível que aviões convencionais
Um projeto de aeronave com formato semelhante ao de uma arraia pretende mudar um dos padrões mais tradicionais da aviação comercial. Desenvolvido pela startup americana JetZero, o Z4 abandona o modelo convencional de fuselagem tubular com asas separadas e utiliza uma estrutura integrada, conhecida como blended wing body (BWB), ou corpo de asa integrada.
A principal aposta está na eficiência. Segundo a JetZero, o desenho permite que praticamente toda a estrutura da aeronave contribua para a sustentação, ao mesmo tempo em que reduz o arrasto aerodinâmico. A fabricante projeta uma economia de combustível entre 30% e 50% em comparação com aeronaves comerciais atualmente em operação.
A redução no consumo pode representar custos operacionais menores para as companhias aéreas, além da diminuição das emissões associadas à queima de combustível. Isso abre a possibilidade de reflexos sobre o preço das viagens no futuro, embora ainda não seja possível afirmar quanto dessa economia seria efetivamente repassado aos passageiros.
Z4 terá capacidade para cerca de 250 passageiros
O projeto prevê aproximadamente 250 assentos e autonomia de até 5 mil milhas náuticas, cerca de 9,2 mil quilômetros. Com essas características, o Z4 é direcionado ao chamado mercado intermediário, situado entre os aviões de corredor único utilizados principalmente em rotas curtas e médias e os grandes modelos de dois corredores empregados em viagens de longa distância.
O formato diferenciado também muda a organização interna. A proposta da JetZero divide o espaço de passageiros em seis áreas de cabine, com acessos destinados a facilitar o embarque e reduzir os congestionamentos comuns nos corredores dos aviões tradicionais.
A configuração ampla, entretanto, significa que grande parte dos passageiros não terá uma janela convencional ao lado do assento. Entre as soluções estudadas estão telas capazes de reproduzir imagens externas durante o voo.
Apesar do desenho incomum, a empresa afirma que o Z4 foi projetado para operar na infraestrutura aeroportuária existente, sem exigir grandes adaptações nos terminais.
Primeiro voo em escala real está previsto para 2027
A JetZero ainda precisa demonstrar na prática o desempenho e a viabilidade comercial da tecnologia. A companhia está construindo o Jet1, demonstrador em escala real desenvolvido em parceria com a Scaled Composites, subsidiária da Northrop Grumman. O primeiro voo está previsto para 2027.
O projeto conta com apoio da Força Aérea dos Estados Unidos, que concedeu à empresa um contrato de US$ 235 milhões para acelerar o desenvolvimento do demonstrador. A tecnologia de corpo de asa integrada também não surgiu agora: conceitos semelhantes já foram pesquisados anteriormente pela NASA e pela Boeing, inclusive por meio da família experimental X-48.
A JetZero ganhou novo impulso em julho deste ano ao assinar uma carta de interesse com o Export-Import Bank dos Estados Unidos (EXIM) para avaliar até US$ 3 bilhões em potencial financiamento destinado ao seu complexo industrial em Greensboro, na Carolina do Norte. A fábrica, cuja construção começou em junho, será responsável pela produção do Z4.
O projeto também já atraiu companhias aéreas. A United Airlines investiu na JetZero e firmou um acordo condicionado ao cumprimento de etapas de desenvolvimento que abre caminho para a compra de até 100 aeronaves, com opção para outras 100. Em julho, a Gulf Air assinou uma carta de intenção envolvendo o Z4, enquanto a Japan Airlines anunciou apoio e interesse no programa.
A expectativa da JetZero é colocar a aeronave comercial em serviço no início da década de 2030. Até lá, o Z4 ainda terá de passar pelas etapas de desenvolvimento, testes de voo e certificação necessárias antes de transportar passageiros regularmente.

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