Brincadeira entre amigos termina com tiro na cabeça e decisão da Justiça
Crédito: Divulgação/Polícia Civil SC
Por Diário do Baiano
Adolescente de 13 anos teve internação provisória determinada após atingir um colega com a arma do pai. Defesa afirma que o disparo foi acidental.
A Justiça de Santa Catarina determinou a internação provisória, por até 45 dias, de um adolescente de 13 anos investigado por atirar na cabeça de um amigo em Chapecó, no Oeste catarinense. O episódio aconteceu no sábado (10), dentro da residência da família do adolescente que efetuou o disparo.
A vítima foi socorrida pelo Serviço Aeropolicial (Saer) e encaminhada ao Hospital Regional do Oeste, onde passou por uma cirurgia. Não havia atualização oficial sobre seu estado de saúde nas informações divulgadas até segunda-feira (12).
Segundo o Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), o adolescente teve acesso a uma pistola calibre 9 milímetros pertencente ao pai. A Justiça autorizou a internação provisória após representação apresentada pelo promotor de Justiça Wesley da Silva Müller.
O caso é apurado como ato infracional análogo à tentativa de homicídio qualificado. A classificação é provisória e não representa uma conclusão definitiva sobre a intenção do disparo.
Defesa sustenta que disparo foi acidental
O escritório responsável pela defesa da família afirma que os adolescentes eram melhores amigos e estavam brincando quando ocorreu o disparo.
Segundo o advogado Yonatan Maier, o jovem que manuseava a arma ficou em estado de choque e procurou ajuda dos vizinhos imediatamente após o ocorrido.
A defesa também manifestou solidariedade à vítima e aos familiares, afirmou respeitar a decisão judicial e declarou confiar no esclarecimento dos fatos.
O Ministério Público, por sua vez, apontou indícios de autoria e materialidade e destacou a gravidade da ocorrência. Para justificar a internação provisória, considerou o emprego de arma de fogo de uso restrito e a idade da vítima, inferior a 14 anos.
A medida tem caráter cautelar e não equivale à aplicação definitiva de uma medida socioeducativa.
Pai é investigado e armas foram apreendidas
Durante as diligências na residência, os policiais apreenderam uma pistola Taurus PT92, uma carabina Puma calibre .357, carregadores e centenas de munições.
O pai do adolescente, proprietário do armamento, é registrado como Colecionador, Atirador Desportivo e Caçador (CAC). Ele também passou a ser investigado por possível omissão de cautela na guarda das armas.
O Estatuto do Desarmamento prevê responsabilização para quem deixa de adotar as precauções necessárias para impedir que menores de idade tenham acesso a armas de fogo sob sua posse.
Além da internação provisória, a Justiça determinou avaliação psicossocial e acompanhamento psicológico do adolescente investigado, atendimento especializado aos responsáveis e continuidade das diligências policiais.
Também foram autorizados exames periciais e a obtenção de documentos médicos relacionados à vítima, para auxiliar no esclarecimento das circunstâncias do disparo.
As identidades dos adolescentes não foram divulgadas, em razão da proteção legal assegurada a crianças e adolescentes.

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