ESPECIAL | Faltam cerca de 60 dias: o que realmente estará em jogo nas eleições de 2026?
Foto: ILustração/IA
Por Diário do Baiano
Por que uma eleição realizada em um único domingo consegue mudar o destino do Brasil por quase uma década? A resposta está muito além da escolha do próximo presidente da República.
Faltando aproximadamente 60 dias para o primeiro turno das Eleições de 2026, marcado para 4 de outubro, o país entra na fase mais intensa da disputa política. Nas próximas semanas, candidatos intensificarão viagens, debates, programas eleitorais e campanhas digitais, enquanto milhões de brasileiros começarão a decidir o voto que influenciará o rumo do país nos próximos anos.
Mas existe uma pergunta que poucos eleitores fazem:
Você sabe exatamente quem estará escolhendo na urna e por quanto tempo cada eleito permanecerá no cargo?
Uma eleição que vale muito mais do que a Presidência
Embora a disputa presidencial concentre os holofotes, ela representa apenas uma parte da renovação política nacional.
Ao apertar os números na urna, o eleitor escolherá:
- Presidente e vice-presidente da República;
- 27 governadores e vice-governadores;
- 54 senadores (dois por estado e pelo Distrito Federal);
- 513 deputados federais;
- 1.035 deputados estaduais;
- 24 deputados distritais no Distrito Federal.
Ao todo, milhares de candidatos disputarão pouco mais de 1.600 cargos eletivos espalhados por todo o país.
O detalhe que muitos esquecem
Diferentemente das eleições de 2022, cada eleitor votará em dois candidatos ao Senado.
Isso ocorre porque dois terços das 81 cadeiras da Casa serão renovados, totalizando 54 vagas.
Como o mandato de senador dura oito anos, as decisões tomadas em outubro poderão influenciar o cenário político até 2035, independentemente de quem vencer a Presidência da República.
A eleição que define quem faz as leis
Outro dado frequentemente ignorado é que o Congresso Nacional possui enorme influência sobre praticamente todas as áreas da vida do cidadão.
É dele que saem:
- reformas constitucionais;
- mudanças tributárias;
- alterações nas leis penais;
- orçamento federal;
- criação e extinção de programas públicos;
- fiscalização do governo federal.
Em muitos casos, presidentes dependem diretamente do apoio do Congresso para colocar promessas de campanha em prática.
Nem todo mundo vence por ter mais votos
Uma das maiores curiosidades do sistema eleitoral brasileiro é que nem sempre o candidato mais votado dentro de um partido garante a eleição sozinho.
Enquanto presidente, governador e senador são escolhidos pelo sistema majoritário, deputados federais e estaduais utilizam o sistema proporcional.
Na prática, isso significa que os votos recebidos pelos partidos e federações influenciam diretamente a distribuição das cadeiras. Por isso, candidatos muito votados podem ajudar a eleger colegas menos conhecidos da mesma legenda ou federação partidária.
Quando o brasileiro voltou a escolher seu presidente?
A eleição de 2026 também reforça um capítulo importante da história democrática brasileira.
Durante o regime militar (1964–1985), os presidentes eram escolhidos de forma indireta pelo Congresso Nacional.
O voto direto para presidente voltou apenas em 1989, na primeira eleição presidencial direta desde 1960.
Já os governadores passaram a ser escolhidos novamente pelo voto popular em 1982, marco importante da redemocratização do país.
A Constituição Federal de 1988 consolidou esse modelo democrático, fortalecendo a escolha direta dos representantes pelos eleitores brasileiros.
Os próximos 60 dias
Até a votação, o calendário eleitoral ainda reserva etapas decisivas.
Os partidos concluirão o registro oficial das candidaturas, começará a propaganda eleitoral, serão realizados debates entre candidatos e a Justiça Eleitoral intensificará as ações de fiscalização para garantir a regularidade do processo.
O tamanho da responsabilidade
Mais de 150 milhões de brasileiros estarão aptos a decidir quem comandará o Executivo nacional, os governos estaduais e grande parte do Poder Legislativo brasileiro.
Independentemente das preferências políticas, um fato é incontestável: poucas decisões tomadas pelo eleitor possuem efeitos tão duradouros quanto as que serão registradas nas urnas em outubro.
A contagem regressiva já começou. Restam cerca de 60 dias para uma eleição que ajudará a definir os rumos políticos, econômicos e sociais do Brasil pelos próximos anos.

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