Patrimônio religioso de Salvador acende alerta com oito igrejas interditadas
Crédito: Foto: Paul R. Burley/Wikimedia Commons – CC BY-SA 4.0.
Por Diário do Baiano
Vistorias identificaram problemas estruturais graves em templos da capital; situação voltou ao centro das atenções após ação do MPF envolvendo a Igreja de São Miguel.
Oito igrejas de Salvador permanecem interditadas após vistorias apontarem risco estrutural alto ou muito alto. As interdições ocorreram entre 2025 e 2026 e atingem templos históricos da capital baiana, alguns deles com problemas que incluem deterioração de estruturas de madeira, infiltrações, oxidação de ferragens, fissuras e rachaduras.
O assunto voltou a ganhar destaque nesta quarta-feira (19) depois que o Ministério Público Federal (MPF) acionou a Justiça Federal para cobrar medidas urgentes de preservação da Igreja de São Miguel, no Pelourinho. O templo está fechado há 11 anos e, segundo o órgão, apresenta risco de desabamento.
Templos apresentam problemas estruturais
Entre os imóveis atingidos pelas interdições e restrições estão a Igreja de São Miguel, Paróquia Nossa Senhora da Boa Viagem, Igreja Nossa Senhora da Ajuda, Igreja e Convento dos Perdões, Igreja de São Bento da Bahia, Igreja dos Quinze Mistérios, Igreja da Ordem Terceira do Carmo e Convento Santa Clara do Desterro. Parte dessas interdições decorre da força-tarefa realizada após o desabamento do teto da Igreja de São Francisco de Assis, em fevereiro de 2025.
Segundo a Defesa Civil de Salvador (Codesal), as inspeções encontraram manifestações consideradas graves, como deterioração de estruturas de madeira das coberturas e assoalhos, ferragens oxidadas, infiltrações generalizadas e rachaduras nas alvenarias. Os problemas podem representar risco tanto para frequentadores quanto para o patrimônio histórico.
Alguns templos já estavam fechados ao público e foram submetidos a novas avaliações. A Igreja de São Miguel, a Igreja dos Aflitos e a Igreja dos Quinze Mistérios receberam notificações para que as interdições fossem mantidas.
Outros imóveis religiosos também preocupam
A situação não se restringe aos oito templos. A Arquidiocese de Salvador relaciona pelo menos outras dez igrejas com algum grau de comprometimento estrutural e prepara um levantamento com os imóveis que apresentam interdições totais ou parciais.
Entre os templos que passam por intervenções está a Igreja Nossa Senhora da Boa Viagem. A Igreja Nossa Senhora da Luz, na Pituba, também entrou em processo de recuperação depois que um incêndio na secretaria levou à identificação de outros problemas no imóvel.
No caso da Igreja de São Miguel, o MPF pediu que intervenções emergenciais sejam iniciadas em até 30 dias e que a área seja isolada no prazo máximo de 15 dias, diante do risco apontado para a estrutura.

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