Viagem de Flávio Bolsonaro aos EUA amplia impasse com o STF após derrota
Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
Por Diário do Baiano
Aliado de Donald Trump anunciou a chegada do senador aos Estados Unidos e atribuiu a operação a Marco Rubio; parlamentar teve passaportes cancelados após descumprir determinação judicial.
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) teria chegado aos Estados Unidos nesta terça-feira (27), dois dias depois de perder a eleição presidencial para Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A informação foi divulgada pelo empresário e advogado mexicano Simón Levy, que se apresenta como aliado do presidente norte-americano Donald Trump e do movimento conservador Make America Great Again (MAGA).
Em publicação na rede social X, por volta das 15h30, Levy afirmou que Flávio havia desembarcado em segurança nos Estados Unidos. O empresário também atribuiu ao secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, a articulação da viagem e declarou que o senador pretende liderar a oposição ao governo Lula a partir do território americano.
Em outra manifestação, Levy chamou a suposta operação de retirada do parlamentar de “Operação Alba”. Apesar das declarações, não havia confirmação pública oficial dos governos brasileiro e norte-americano sobre a chegada do senador ou sobre a participação de Rubio na operação.
A viagem, entretanto, foi relatada por um aliado próximo de Flávio Bolsonaro e por uma fonte do governo dos Estados Unidos, ouvidos pela agência Reuters. Até o momento da apuração, não estavam confirmados o local exato do desembarque, o itinerário completo e a eventual apresentação de um pedido de asilo político.
Passaportes cancelados após decisão judicial
A movimentação ocorre em meio ao descumprimento de uma determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Na segunda-feira (26), o magistrado proibiu Flávio Bolsonaro de deixar o Brasil e estabeleceu prazo de 24 horas para que entregasse seus passaportes comum e diplomático à Polícia Federal.
O prazo terminou na manhã desta terça-feira sem que os documentos fossem apresentados. Diante do descumprimento, a Polícia Federal cancelou os passaportes do senador e adotou providências para comunicar o episódio ao Supremo.
Informações divulgadas pela imprensa argentina indicaram que o parlamentar poderia ter atravessado a fronteira e seguido para os Estados Unidos em uma aeronave particular. Entretanto, autoridades argentinas não confirmaram sua entrada regular no país, enquanto a Polícia Federal brasileira não identificou registro de saída pelos postos regulares de controle migratório.
Na segunda-feira, antes das notícias sobre sua saída, Flávio havia declarado nas redes sociais que nunca pensou em deixar o Brasil. Na ocasião, criticou a decisão judicial, afirmou que entregaria os documentos e assegurou que permaneceria no país para organizar a oposição política.
Investigações continuam no Supremo
Flávio Bolsonaro é investigado em dois procedimentos que tramitam no STF. Um deles envolve suspeitas de lavagem de dinheiro relacionadas a negócios com plataformas de apostas e tem como outro investigado o advogado Willer Tomaz.
O segundo apura circunstâncias do financiamento do filme Dark Horse, produção sobre a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro. Flávio nega ter cometido irregularidades. As investigações continuam em andamento, independentemente de sua permanência no exterior.
A saída do senador ocorreu após a derrota no segundo turno das eleições presidenciais, realizado no domingo (25). Conforme os resultados divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Lula foi reeleito com 64.256.232 votos, equivalentes a 51,79% dos votos válidos. Flávio recebeu 59.826.041 votos, correspondentes a 48,21%.
Embora Flávio não tenha reconhecido inicialmente a vitória do adversário e tenha questionado o processo eleitoral, o Partido Liberal reconheceu o resultado anunciado pela Justiça Eleitoral.
O episódio acrescenta uma dimensão internacional à situação judicial do senador. Até o fechamento desta matéria, permaneciam sem esclarecimento oficial as circunstâncias completas da viagem, a participação atribuída a integrantes do governo Trump e quais medidas adicionais poderiam ser adotadas pela Justiça brasileira.

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