Morte de menina em UPA mobiliza investigação sobre possível meningite
Foto: Reprodução/Redes Sociais
Por Diário do Baiano
Criança de 8 anos morreu após receber atendimento médico no oeste da Bahia. Ministério da Saúde e autoridades estaduais aguardam exames para esclarecer a causa da morte, enquanto familiares questionam a assistência prestada.
A morte de uma menina de 8 anos, identificada como Angela Sofia Paranaguá de Araújo, está sendo investigada pelo Ministério da Saúde e pela Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab), diante da suspeita de meningite. A criança morreu na sexta-feira (16), após receber atendimento na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Luís Eduardo Magalhães, no oeste baiano.
A investigação foi confirmada pelas autoridades de saúde na terça-feira (20). Até o momento, não existe confirmação laboratorial de que a morte tenha sido provocada por meningite. Amostras coletadas durante a necropsia foram encaminhadas para análise, e os resultados deverão esclarecer a origem da doença.
A declaração de óbito aponta meningoencefalite, condição caracterizada pela inflamação das membranas que envolvem o cérebro e a medula espinhal, além do próprio tecido cerebral. Entretanto, o registro não identifica, por si só, o agente responsável pela enfermidade.
Segundo a Secretaria Municipal de Saúde de Luís Eduardo Magalhães, a suspeita de meningite bacteriana foi levantada pelo médico-legista durante a necropsia. O caso permanece sob investigação epidemiológica.
Família questiona atendimento recebido pela criança
De acordo com familiares, Sofia começou a apresentar dores de cabeça e no estômago na quinta-feira (15). Ela foi levada à UPA, onde recebeu medicamentos, passou por coleta de sangue para exames e acabou liberada.
No dia seguinte, a menina apresentou agravamento do quadro, com desorientação e convulsões, sendo novamente encaminhada à unidade de saúde.
Em entrevista à TV Oeste, a mãe relatou que a filha recebeu uma injeção e foi levada para a sala vermelha, destinada ao atendimento de pacientes em estado grave. Pouco tempo depois, a morte foi constatada.
A família questiona a conduta adotada nos atendimentos e levanta a possibilidade de negligência médica. A suspeita apresentada pelos parentes não constitui comprovação de erro profissional, e as circunstâncias do atendimento ainda precisam ser esclarecidas.
Outro questionamento envolve os procedimentos realizados após a morte. Segundo os familiares, o corpo foi inicialmente liberado para sepultamento, apesar dos pedidos por exames.
Durante o velório, uma equipe do Departamento de Polícia Técnica (DPT) esteve no local e recolheu o corpo para a realização da necropsia.
No Instituto Médico Legal (IML), foram coletadas amostras de órgãos como cérebro, coração, fígado, baço e pulmão. O material será analisado para auxiliar na identificação da causa da morte e de um possível agente infeccioso.
Vigilância Epidemiológica adota medidas preventivas
Após a suspeita de meningite, equipes da Vigilância Epidemiológica Municipal iniciaram o rastreamento de pessoas que tiveram contato próximo com Sofia.
A medida incluiu familiares, colegas de escola, profissionais de saúde e outras pessoas que estiveram próximas da criança, inclusive durante o velório.
De acordo com a Sesab, os contatos considerados elegíveis receberam quimioprofilaxia, procedimento que consiste na administração preventiva de antibióticos em situações específicas de exposição a agentes infecciosos.
A Secretaria Municipal de Saúde informou que também foram realizadas orientações preventivas e verificações da situação vacinal das pessoas acompanhadas. Não houve indicação de isolamento dos contatos.
A irmã mais nova da menina, de 1 ano e 3 meses, chegou a ser internada com sintomas gripais, mas recebeu alta hospitalar nesta terça-feira (20).
Segundo o Ministério da Saúde, o Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde (Cievs) foi comunicado sobre a ocorrência e aguarda os resultados laboratoriais.
Entre janeiro e outubro de 2026, a Secretaria Municipal de Saúde registrou quatro notificações de suspeita de meningite em Luís Eduardo Magalhães. Duas foram descartadas, uma teve confirmação de infecção pela bactéria Streptococcus pneumoniae e a quarta corresponde à morte de Sofia, ainda sob investigação.
A meningite pode ser provocada por bactérias, vírus, fungos e outros agentes. Entre os sintomas mais frequentes estão febre, dor de cabeça intensa, rigidez na nuca, náuseas, vômitos e sensibilidade à luz. Algumas formas da doença podem evoluir rapidamente e exigem atendimento médico imediato.
As autoridades de saúde reforçam que a confirmação do diagnóstico depende dos exames e da conclusão da investigação. Até a divulgação das últimas informações, não havia confirmação de surto da doença relacionado à morte da criança.

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