Sem apresentar provas, Flávio Bolsonaro mantém suspeitas sobre derrota para Lula
Foto: © Carlos Moura | Senado
Por Diário do Baiano
Senador reconhece não possuir evidências de fraude nas eleições presidenciais de 2026, mas insiste em questionar o resultado. Partido pretende concentrar contestação judicial em suposto uso irregular da máquina pública.
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições presidenciais de 2026, reconheceu que não possui provas de fraude na votação, mas voltou a colocar em dúvida o resultado oficial do pleito. A declaração foi feita em entrevista concedida em Miami, nos Estados Unidos, e publicada na sexta-feira (6).
“Não tenho provas e nem terei, porque é proibido investigar esse assunto”, afirmou o parlamentar, ao justificar por que não pretende apresentar uma contestação judicial baseada diretamente na contagem dos votos.
Flávio também questionou o crescimento da votação de Lula entre o primeiro e o segundo turno, realizado em 25 de outubro, e levantou suspeitas sobre a prorrogação do horário de votação determinada pela Justiça Eleitoral.
O resultado oficial do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) confirmou a reeleição de Lula com 64.256.232 votos, equivalentes a 51,79% dos votos válidos. Flávio recebeu 59.826.041 votos, ou 48,21%, uma diferença superior a 4,4 milhões de votos.
Apesar das declarações do senador, não foram apresentadas evidências que sustentem a existência de manipulação dos resultados. A Justiça Eleitoral atestou a regularidade do processo, e partidos aliados do candidato derrotado reconheceram a vitória de Lula.
Prorrogação da votação volta ao centro da discussão
Durante a entrevista, Flávio questionou as duas horas adicionais de votação autorizadas no segundo turno. A medida foi adotada após dificuldades relacionadas ao transporte de eleitores na Bahia e estendida nacionalmente por decisão judicial.
O próprio Partido Liberal também havia solicitado a ampliação do horário de votação em determinados estados, argumento apresentado ao senador durante a entrevista.
Dados oficiais indicam que 34.393 votos foram registrados após as 17h, quantidade equivalente a aproximadamente 0,03% do total e insuficiente para alterar a diferença entre os candidatos.
Flávio, entretanto, sustentou que suas dúvidas não se limitam aos votos registrados no período adicional, mas envolvem o funcionamento dos procedimentos internos de totalização do TSE.
As alegações não vieram acompanhadas de provas. O presidente do tribunal, ministro Kassio Nunes Marques, declarou ter segurança quanto à lisura das eleições e afirmou que a prorrogação não comprometeu a apuração.
Partido pretende questionar campanha de Lula
Sem apresentar elementos para contestar diretamente o funcionamento das urnas, Flávio afirmou que a estratégia jurídica do PL deverá se concentrar em supostas irregularidades relacionadas ao uso da estrutura do governo federal durante a campanha eleitoral.
Entre os pontos mencionados estão medidas sociais e benefícios anunciados pelo governo, que o senador considera possíveis exemplos de abuso de poder econômico e político.
A intenção declarada é buscar a cassação da chapa formada por Lula e pelo vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB). A apresentação de uma ação, entretanto, não significa que as acusações estejam comprovadas ou que haverá decisão favorável ao partido.
O senador também comentou sua permanência nos Estados Unidos, para onde viajou após a derrota eleitoral. Ele afirmou que ainda avalia com a família onde pretende morar e que deseja continuar exercendo o mandato parlamentar.
Sobre as eleições de 2030, Flávio não descartou uma nova candidatura presidencial, mas declarou que apoiaria o pai, Jair Bolsonaro, caso o ex-presidente recuperasse seus direitos políticos.
As declarações ocorrem em meio às discussões sobre o resultado das eleições de outubro. Até o momento, permanece válido o resultado oficial proclamado pela Justiça Eleitoral, que confirmou a vitória de Lula para um novo mandato presidencial.

Investigação sobre bets revela bloqueio de R$ 3,3 bilhões e amplia debate no STF
Congresso conclui votação de reforma que fortalece combate ao crime organizado
Volta de Jorge Araújo à Câmara de Salvador muda composição da bancada do PP
Futuro de Rui Costa no governo Lula movimenta articulações para 2027
Senado tenta destravar PEC da Segurança em meio à disputa sobre idade penal
Disputa por cargos estratégicos movimenta a formação do quarto governo Lula