Governo Trump autoriza vistos para Flávio Bolsonaro e familiares após saída do Brasil
Foto: Carlos Moura | Agência Senado
Por Diário do Baiano
Departamento de Estado dos Estados Unidos confirmou que permitirá a entrada do senador e de sua família; decisão ocorre após descumprimento de ordem do STF e derrota nas eleições presidenciais.
O governo do presidente Donald Trump confirmou que emitirá vistos para o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e seus familiares, autorizando a entrada deles nos Estados Unidos. A informação foi divulgada na terça-feira (27), dois dias após a derrota do parlamentar para Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições presidenciais brasileiras.
A confirmação partiu de um alto funcionário do Departamento de Estado norte-americano, que informou que o órgão concederá os documentos necessários para a entrada do senador e de sua família no país. A manifestação representa um posicionamento oficial da administração Trump, embora não signifique que os vistos já tenham sido efetivamente emitidos.
Na noite de terça-feira, Donald Trump também se pronunciou sobre o assunto. Questionado por jornalistas, afirmou que aprovaria a entrada de Flávio nos Estados Unidos e demonstrou simpatia pelo parlamentar e seus familiares.
O presidente norte-americano voltou a criticar o processo eleitoral brasileiro, mas declarou que não havia tomado partido na disputa presidencial. As críticas não foram acompanhadas de provas de irregularidades capazes de comprometer o resultado anunciado pela Justiça Eleitoral.
Viagem ocorreu após determinação do Supremo
A decisão norte-americana foi anunciada em meio às informações sobre a saída de Flávio Bolsonaro do Brasil, apesar de uma ordem do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que havia proibido o senador de deixar o território nacional.
A determinação judicial também exigia a entrega dos passaportes comum e diplomático à Polícia Federal. O prazo terminou na terça-feira (27), sem que os documentos fossem apresentados, e a corporação adotou providências para cancelá-los.
A medida foi tomada no contexto de uma investigação que envolve suspeitas de lavagem de dinheiro. Flávio Bolsonaro nega ter cometido irregularidades.
Segundo informações obtidas junto a pessoas próximas ao parlamentar e a integrantes do governo norte-americano, Flávio deixou o Brasil acompanhado da esposa e de duas filhas, utilizando uma rota internacional que passou pela Argentina.
A Direção Nacional de Migrações da Argentina confirmou nesta quarta-feira (28) que o senador e seus familiares ingressaram na província de Misiones na noite de terça-feira, por uma passagem terrestre, utilizando documentos de viagem válidos. Posteriormente, embarcaram em uma aeronave particular com destino declarado a Guayaquil, no Equador.
A confirmação argentina esclareceu parte do trajeto, mas não estabeleceu oficialmente o local em que a família se encontrava na manhã desta quarta-feira. Aliados afirmaram que Flávio teria chegado à Flórida, nos Estados Unidos, informação que ainda não havia sido confirmada de maneira independente pelas autoridades norte-americanas.
Vistos não representam concessão de asilo político
A autorização anunciada pelo Departamento de Estado permite a entrada do senador e dos familiares nos Estados Unidos, mas não equivale à concessão de asilo político.
Até o momento, não havia confirmação oficial de que Flávio Bolsonaro tivesse apresentado um pedido formal de asilo ou recebido qualquer proteção migratória dessa natureza.
A distinção é importante porque a emissão de vistos e o reconhecimento de asilo seguem procedimentos diferentes na legislação norte-americana. Também não foi informada a categoria dos vistos que serão concedidos nem o prazo de permanência autorizado.
O caso amplia a repercussão internacional da situação judicial do senador e acrescenta um novo elemento às relações entre os governos brasileiro e norte-americano.
No segundo turno, realizado no domingo (25), Lula foi reeleito com 64.256.232 votos, equivalentes a 51,79% dos votos válidos. Flávio Bolsonaro recebeu 59.826.041 votos, correspondentes a 48,21%, segundo os números oficiais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
A eventual permanência do senador no exterior não encerra as investigações em andamento no Brasil. Qualquer nova medida judicial dependerá de decisões das autoridades competentes.

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