Papa Francisco morre aos 88 anos
O Papa Francisco, líder da Igreja Católica e chefe de Estado do Vaticano, morreu nesta segunda-feira (21), aos 88 anos. Primeiro pontífice latino-americano da história, Francisco se destacou por seu compromisso com reformas internas na Igreja, defesa dos mais pobres e diálogo inter-religioso.
Jorge Mario Bergoglio nasceu em 17 de dezembro de 1936, em Buenos Aires, na Argentina. Antes de se tornar o 266º papa, foi arcebispo da capital argentina e cardeal. Em 2013, foi eleito sucessor de Bento XVI, tornando-se o primeiro papa jesuíta e adotando o nome Francisco, em referência a São Francisco de Assis, símbolo de humildade e dedicação aos menos favorecidos.
Durante seu pontificado, Francisco defendeu uma Igreja mais aberta e menos julgadora. Sua famosa declaração de 2013 — “Quem sou eu para julgar?”, ao se referir a homossexuais, simbolizou sua postura de acolhimento. Ele também buscou flexibilizar a abordagem pastoral em temas delicados, como na exortação Amoris Laetitia (2016), que abriu espaço para a reintegração de divorciados em segunda união.
Inspirado em São Francisco de Assis, ele adotou um estilo de vida simples e defendeu uma “Igreja pobre para os pobres”. Criticou o capitalismo desenfreado e a desigualdade, interveio na reaproximação entre EUA e Cuba em 2014 e foi voz ativa na defesa de migrantes e trabalhadores. Seus gestos simbólicos, como lavar os pés de prisioneiros e visitar campos de refugiados, reforçaram sua mensagem de solidariedade.
Francisco promoveu mudanças na Cúria Romana, descentralizou o poder da Santa Sé e criou a Secretaria para a Economia para aumentar a transparência financeira do Vaticano. Também enfrentou o escândalo de abusos sexuais na Igreja, implementando medidas como a Pontifícia Comissão para a Proteção de Menores (2014) e o motu proprio Vos Estis Lux Mundi (2019), que estabeleceu novas diretrizes para punir casos de abuso e encobrimento.
Com a encíclica Laudato Si’ (2015), Francisco colocou a Igreja no centro do debate ambiental, defendendo uma “ecologia integral” e pedindo ações concretas contra as mudanças climáticas. No campo do diálogo inter-religioso, firmou o Documento sobre a Fraternidade Humana (2019) com o Grande Imã de Al-Azhar, buscando construir pontes entre diferentes crenças.
Mesmo com resistência dentro da própria Igreja, o Papa Francisco deixa um legado de renovação e proximidade com os fiéis, consolidando-se como um dos pontífices mais influentes da história recente. O Vaticano ainda não divulgou detalhes sobre o processo sucessório.

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