Himalaia enfrenta tragédia com quase 800 mortos e mais de 3 mil desaparecidos
Foto: WHO Nepal
Por Diário do Baiano
Buscas enfrentam mau tempo e risco de novas inundações enquanto centenas de pessoas podem estar presas em túneis de usinas hidrelétricas
A dimensão da tragédia provocada por enchentes e deslizamentos na região do Himalaia aumentou neste domingo (30). O número de mortos no Nepal e no Tibete chegou a 797, enquanto 3.048 pessoas permanecem desaparecidas após o desastre que atingiu a fronteira entre Nepal e China.
O balanço mais recente aponta 781 mortos e 2.502 desaparecidos no Nepal. No Tibete, autoridades chinesas contabilizam 16 mortes e 546 desaparecidos.
A tragédia começou na quarta-feira (26), depois que o colapso de uma geleira desencadeou uma enorme corrente de água, gelo, rochas, lama e outros detritos através de vales e rios da região montanhosa. Comunidades foram atingidas, edifícios destruídos e pontes, estradas e instalações de geração de energia sofreram graves danos.
Mais de 90 mil pessoas podem ter sido afetadas pelo desastre, segundo estimativa da Cruz Vermelha.
Milhares continuam desaparecidos
As operações de busca enfrentam condições extremas. Chuvas, aumento do nível dos rios e dificuldades de acesso já obrigaram equipes a interromper temporariamente os trabalhos em diferentes momentos desde sexta-feira (28).
No Nepal, as buscas se concentram também em cinco projetos hidrelétricos atingidos pelas enchentes. Autoridades receberam informações de que cerca de 350 pessoas poderiam estar presas em um túnel do complexo Upper Trishuli.
Máquinas pesadas foram transportadas por via aérea para a região neste domingo. Equipes conseguiram chegar à entrada de um dos túneis e começaram a retirar os escombros que impedem o acesso. Especialistas pretendem entrar com equipamentos de oxigênio e câmeras assim que houver condições de segurança.
Entre os desaparecidos estão centenas de estrangeiros. Somente no Tibete, a China informou que 261 cidadãos de 23 países continuam sem localização confirmada.
Novo risco mantém região em alerta
A situação permanece perigosa. Moradores e integrantes das equipes de resgate precisaram procurar áreas mais altas depois que o nível do rio Trishuli voltou a subir com as novas chuvas.
Um lago formado após o desastre e que ameaçava comunidades localizadas rio abaixo havia perdido grande parte da água até a noite de sábado (29). No entanto, drones identificaram posteriormente outro deslizamento, que formou uma nova barreira natural e provocou novo acúmulo de água.
A dimensão da tragédia também obrigou autoridades nepalesas a iniciar sepultamentos temporários de vítimas ainda não identificadas. Amostras de DNA estão sendo coletadas e os locais dos sepultamentos registrados para permitir uma eventual identificação posterior.
A China mobilizou mais de 2,1 mil socorristas para as operações no lado tibetano. No Nepal, cerca de 10 mil militares atuam nas buscas, com apoio de equipes especializadas de outros países.
As autoridades alertam que os números ainda podem sofrer alterações significativas à medida que as buscas avançam e vítimas são identificadas.

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