Fachin suspende decisões de ministros e leva disputa sobre comando da PF ao plenário
Foto: Alejandro Zambrana/STF
Por Diário do Baiano
Presidente do STF manteve Andrei Rodrigues no cargo, retirou Alexandre de Moraes da relatoria do inquérito das fake news e convocou sessão extraordinária
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, adotou uma série de medidas na quarta-feira (9) para conter o conflito entre integrantes da Corte. Fachin suspendeu decisões dos ministros André Mendonça e Flávio Dino envolvendo a cúpula da Polícia Federal (PF), manteve Andrei Rodrigues como diretor-geral da corporação e convocou uma sessão extraordinária do plenário para a próxima terça-feira (15).
O impasse começou depois que Mendonça determinou, na terça-feira (8), o afastamento de Andrei Rodrigues e do diretor de Inteligência da PF, Leandro Almada da Costa. Na quarta-feira, Dino determinou a reintegração dos dois dirigentes.
Diante das determinações conflitantes, Fachin suspendeu tanto a decisão de Mendonça quanto a de Dino. Na prática, Andrei permanece no comando da Polícia Federal por enquanto, até nova decisão da Presidência do Supremo. Fachin deu prazo de 48 horas para que o diretor-geral apresente informações sobre o caso.
Fachin leva conflito ao plenário
Ao justificar sua intervenção, Fachin apontou a existência de conflitos e sobreposições processuais e o risco provocado por decisões contraditórias envolvendo as mesmas autoridades.
O presidente do STF também suspendeu procedimentos destinados a investigar integrantes da própria Corte e determinou que casos dessa natureza sejam submetidos previamente à Presidência do tribunal.
A sessão extraordinária do plenário foi marcada para terça-feira (15), às 10h. O colegiado deverá analisar a controvérsia envolvendo as decisões sobre a cúpula da Polícia Federal.
A Advocacia-Geral da União (AGU), que havia recorrido contra o afastamento de Andrei Rodrigues, afirmou que a decisão de Fachin restabelece a ordem pública e administrativa e preserva a competência do presidente da República sobre o provimento e a retirada dos cargos de direção da Polícia Federal.
Moraes deixa relatoria do inquérito das fake news
Em outra medida tomada na quarta-feira, Fachin retirou Alexandre de Moraes da relatoria do chamado inquérito das fake news. As decisões já tomadas por Moraes no processo foram preservadas.
Aberto pelo STF em março de 2019, o inquérito apura ameaças e ataques contra a Corte, seus integrantes e familiares. Moraes havia sido designado relator pelo então presidente do Supremo, Dias Toffoli.
Fachin determinou ainda que investigações e outros procedimentos preliminares que permanecem em andamento retornem à Presidência do STF. As ações penais nas quais denúncias já foram recebidas continuam sob a relatoria de Moraes.

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