Fraude bilionária no Banco Master leva PF a indiciar 15 pessoas
Foto: Secretaria da Administração Penitenciária-SP
Por Diário do Baiano
Daniel Vorcaro, ex-presidente do BRB e outros 13 investigados são apontados em relatório de mais de 700 páginas. Polícia Federal identifica operações suspeitas de R$ 12,2 bilhões e prejuízos de aproximadamente R$ 2,7 bilhões ao banco público.
A Polícia Federal (PF) indiciou, na quarta-feira (28), o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e outras 14 pessoas por suspeitas de envolvimento em irregularidades financeiras nas operações entre o Banco Master e o Banco de Brasília (BRB). O resultado da investigação foi apresentado ao Supremo Tribunal Federal (STF) por meio de um relatório parcial do Inquérito nº 5026, relacionado à Operação Compliance Zero.
Entre os indiciados estão o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, e Augusto Ferreira Lima, ex-sócio de Vorcaro no Banco Master. A relação também inclui antigos diretores das duas instituições financeiras e pessoas apontadas como participantes das operações investigadas.
Segundo a PF, os elementos reunidos indicam suspeitas de gestão fraudulenta de instituição financeira, indução de repartição pública ou sociedade de economia mista a erro, falsidade em informações ou documentos contábeis, organização criminosa e lavagem de dinheiro. As imputações variam conforme a participação atribuída a cada investigado.
O relatório, com mais de 700 páginas, reúne informações sobre a comercialização de carteiras de crédito do Banco Master ao BRB, instituição financeira controlada pelo Governo do Distrito Federal. A investigação aponta que parte dos ativos negociados não possuía comprovação adequada de existência.
Operações suspeitas ultrapassaram R$ 12 bilhões
De acordo com a Polícia Federal, o Banco Master transferiu ao BRB aproximadamente R$ 17,5 bilhões em ativos de crédito entre julho de 2024 e outubro de 2025. Desse total, pelo menos R$ 12,2 bilhões corresponderiam a operações sem comprovação suficiente de sua existência.
Os investigadores identificaram indícios de que carteiras de crédito consignado teriam sido produzidas artificialmente e apresentadas como operações legítimas. Os registros teriam sido organizados em planilhas eletrônicas e posteriormente transformados em cédulas de crédito bancário.
Uma das empresas investigadas é a Tirreno, apontada pela PF como uma estrutura utilizada para intermediar carteiras de crédito sem lastro comprovado. Segundo o relatório, a empresa não possuía estrutura operacional compatível com o volume dos negócios realizados.
A investigação atribui a Daniel Vorcaro uma posição central nas decisões relacionadas à formação e à comercialização dessas carteiras. Na avaliação dos investigadores, o ex-controlador do Master teria coordenado operações destinadas a obter recursos para sustentar a liquidez da instituição financeira.
Ao ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, a PF atribui suspeitas de participação na viabilização das aquisições realizadas pelo banco público, mesmo diante de questionamentos sobre os ativos negociados.
O relatório também aponta aproximadamente R$ 2,7 bilhões em perdas já formalizadas e reconhecidas, segundo a avaliação policial. Esse montante é diferente dos R$ 12,2 bilhões em créditos sob suspeita e não representa a totalidade das operações examinadas.
A atuação dos investigadores está relacionada à Operação Compliance Zero, deflagrada inicialmente em novembro de 2025, quando o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master em razão de problemas de liquidez, comprometimento da situação econômico-financeira e violações de normas do sistema financeiro.
Defesas contestam acusações e PF pede mais prazo
A defesa de Daniel Vorcaro contestou o indiciamento e afirmou que a Polícia Federal antecipou conclusões antes de concluir todas as perícias. Os advogados sustentam que não houve prejuízo ao BRB, argumentando que as carteiras da Tirreno foram substituídas por outros ativos financeiros.
Segundo a defesa, as operações entre as instituições teriam produzido resultados positivos para o banco público. Os representantes do ex-banqueiro também questionam a fundamentação utilizada pelos investigadores e afirmam que ainda existem análises técnicas pendentes.
A defesa de Paulo Henrique Costa também rejeitou as suspeitas. Os advogados sustentam que o ex-presidente do BRB não tinha conhecimento das supostas fraudes e que, ao identificar inconsistências nas carteiras de crédito, exigiu garantias adicionais e a substituição dos ativos.
Vorcaro permanece preso desde março de 2026 e está custodiado na unidade prisional conhecida como Papudinha, no Distrito Federal. Paulo Henrique Costa também foi preso durante uma das fases da operação, em abril.
Apesar dos 15 indiciamentos, a investigação ainda não foi totalmente concluída. A Polícia Federal solicitou ao STF a prorrogação do prazo por mais 60 dias, com o objetivo de finalizar exames periciais, analisar documentos e realizar diligências complementares.
O pedido deverá ser avaliado pelo ministro André Mendonça, responsável pela relatoria do caso no Supremo.
O relatório também foi encaminhado à Procuradoria-Geral da República (PGR), que deverá examinar os elementos apresentados e decidir se existem fundamentos para oferecer denúncia contra os investigados.
O indiciamento representa uma conclusão da autoridade policial sobre a existência de indícios de participação em crimes, mas não equivale a uma condenação judicial. A eventual abertura de uma ação penal dependerá das etapas processuais seguintes.
As investigações envolvendo o Banco Master já haviam provocado outras decisões no Supremo. Em setembro, o Diário do Baiano noticiou a ampliação do acesso aos autos relacionados ao caso, determinada pelo STF.
A nova etapa amplia as consequências jurídicas das operações entre o Master e o BRB, ao formalizar suspeitas contra antigos controladores, dirigentes e participantes das transações financeiras. A definição das responsabilidades individuais dependerá da avaliação das provas e das decisões das autoridades competentes.

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